quarta-feira, 4 de maio de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Aceitando luz!

Eu também quero roupas bonitas, unhas sempre bem feitas, cabelos brilhantes, comida gostosa na geladeira, livros raros nas estantes, acesso fácil a música e viagens magníficas. Não renego o Capitalismo.
No entanto, em cada roupa, quero mostrar o pedaço de pele que nunca me deixa esquecer que pano nenhum substitui minha saúde;
no capricho de cada esmalte, digo ao mundo que a moda pode ser linda, mas as cores, eu sempre posso escolher;
em cada fio sedoso, quero dizer ao vento que ele tem toda a permissão para libertar minhas fantasias;
na essência de cada gosto, experimento a magia secular da humanidade transformada em delícia;
em cada obra enfeitando meu arquivo, homenageio mentores responsáveis pelo fascínio com o qual eu enxergo o planeta (desde a Bíblia até Byron, eu gratificaria toda a minha fé e cada lampejo do lirismo que move as sensações;)
nos sons que alegrariam meus dias, eu acordaria nas nuvens e dormiria por entre estrelas;
e em cada foto que registrasse meus destinos, não estariam apenas monumentos espetaculares, peças de arte históricas e belezas naturais inacreditáveis: estariam, em primeiro plano, os sorrisos cheios de certeza e os olhos repletos de saudade através dos quais eu expressaria felicidade.. e imensidão.

Não interessam nossos estilos de vida, até porque certamente morreremos sem ter tudo que gostaríamos. No entanto, podemos fazer tudo que somos capazes e compartilhar, em cada momento e conquista, o brilho que nunca conseguimos explicar nos nossos momentos mais iluminados.

lost, but alive..



Eu preferiria ser escultora, musicista ou até designer de moda. Quem escreve, logo percebe, que a palavra condiciona o pensamento, e não o contrário. Enquanto a arte visual ou puramente instrumental te apresenta leques lindos de interpretação, as sentenças escritas significam por concreto o que, na verdade, é mais abstrato do que o poeta mais sábio saberia definir. Sinto-me arrogante quando digito supostas prolixidades, sinto culpa meio adoentada ao forçar expressão minha a criar asas. Não vejo outra saída, porém, já que as letras transferem-se aos meus dedos antes que eu me dê conta do fenômeno. Se, por um lado, elaboro mensagens de paz e sinto desejo insano em proliferá-las, por outro, vejo que nada sou, nem jamais serei, caso tal pseudo-arte nunca me faça feliz. Trabalhar num escritório claro, viver de desenhos e datilografias humildes e morrer antes que tudo fosse publicado, talvez fosse bom, visto que a vaidade nunca inflaria meu ego tímido e apenas os receptores gozassem os louros de todo o processo de transmissão.
Não que o sucesso não faça parte dos meus sonhos bonitos, apenas evito me deixar tomar pela tentação desnecessária consequente de certas sensações. Talvez eu precise de personagens carregando a minha culpa, alimentando, de luz, os meus cenários e transformando todo o dramalhão convicto do real em peça digna de alguns aplausos apaixonados.

Domando leões e unicórnios, ao final do dia temos sujas de terra nossas mãos. O fim de união e disciplina justificam o pó, mas, ainda assim, sujos estamos. O camponês, à beira do rio, limpo e perfumado, "apenas" planta e colhe jasmins. Perguntamo-nos, então, por quê não sucumbir a um trabalho mais leve. Eis que ecoa a voz da plenitude: "Nossas missões são proporcionais às nossas vocações. Não queixe-se das mãos fortes com as quais nascestes: mãos leves convivem com plumas, mas as suas, movem montanhas."
O universo se completa.

perhaps no more.

Se há algo que doa mais que a saudade é a sensação de tempo perdido.
Havendo certeza de vidas póstumas, ou não, inegável é que ESTA vida passa, passa rápido e ainda acerta as contas com a sua consciência quando percebe vacilos e momentos lindos que teimam em não voltar.
Tempo, assim sendo, perde parte da sua relatividade e ganha aspectos quase cruéis no que diz respeito à finitude do mesmo. "Algum dia isso tudo aqui acaba!"; "Mais cedo do que imaginas, mocinha, seu rosto estará coberto por rugas."
E voce disperdiçou o SEU tempo pra me dizer o óbvio? E o que ninguém sabe? É o tempo que diz mesmo?
Os convites que recusamos, os raciocínios demorados aos quais cedemos nossas contagens, algum dia retornarão saudosos, para que nos redimamos e façamos a COISA CERTA?
Certa vez mamãe me disse: "Eu ouvi, filha, que na verdade estamos todos numa selva escura, tentando ultrapassar os limites da sobrevivência para que, de repente, encontremos a felicidade."
Não sabes dos gravetos do caminho, tampouco dos lobos ferozes seguindo-te cegos, rindo dos seus tombos. No entanto conheces o fogo e sua luz oriunda da descoberta, fabricas instrumentos e, como se não bastasse, ganhas outros por "simples" intervenção divina.
Lembra dos seus dons? Se sim, use-os, sem mostrá-los. Se não, viva buscando-os, ainda que nunca os ache.
O inadmissível de tal epopéia é pecar lamentando o muro, em cima do muro, sem morrer, mas também sem voar. Pois até o equilibrado torna-se radical em toda a determinação que emprega no fim de o ser.
Somos moedas.
Escolha seu lado.
Antes que o depois depare-se contigo, hoje, e peques por não ter cogitado nada.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ao mundo.

Hoje eu vi um homem cego. Rodeado por cabeças pensantes e corações vazios, o jovem senhor, muito magro, com os olhos apagados, via-se na ponta de sua bengala. Vi gente chutando a ponta de sua bengala, ignorando, portanto, toda a visão tática com a qual o infeliz contava.
Protegida pelo bem-estar do meu ar-refrigerado, assistia, eu, calada e afogada em angústia tão alheia aos meus sentidos e à minha vontade. O homem não poderia sequer fascinar-se com o cinza de sua própria íris, tampouco com o neném que o encarava concentrado. Por um instante divino percebi que ambos sentiam a minha presença.
O momento passou.
Hoje eu atravessei a rua com um paraplégico. Provavelmente o rapaz não obtinha o suporte de uma família abonada que o fornecesse cadeiras motorizadas e café da manhã na cama, porque ele se arrastava. É, tal como se estivesse brincando com a faixa de pedestres, meu amigo anônimo perseguia seus próprios joelhos no chão sujo em busca daquela calçada distante... Apesar de ter pés, por desventura de um destino ingrato, jamais poderia senti-los. Por uma fração de segundo, notei que ele sonhava com meus passos e eu embarquei na viagem, sonhando o mesmo como consolação.
O momento passou.
Hoje voei com um pássaro lilás. Obviamente morri no pós queda. Todavia, em preciosos milésimos do meu tempo contado, avistei insetos magníficos, bolhas de sabão misteriosas e todos os couros cabeludos pequenos que me apareciam lá do alto. Senti a imensidão através do vento por entre meus dedos e fiz-me livre sob tanto fio bagunçado, alegre.
Não digo que tenha valido a pena pairar em direção à morte, pois nem um herói torna um suicídio digno de sua definição fraca. O certo é que em toda aquela extensão ilimitada de espaço e tempo, vulgo céu, vi o homem cego, o aleijado, assim como todos os caminhantes que passavam por eles. Da mesma forma que eu fazia quando viva, os andarilhos apressados passavam e sentiam pena, coçavam a testa impotentes, pegavam algumas moedas no bolso ou, simplesmente, passavam.
Meus amigos desconhecidos em seus sub-mundos, deficientes em corpos maltratados, permaneciam com as cabeças mais altivas e crédulas que qualquer um dos engravatados que os deixavam esmolas. Como eu sei?
De tão longe, leitor, testemunhando o mundo de tão acima, tudo que eu percebia eram cabeças. Cabeças libertárias e corações plenos.
Do alto, entendemos a diferença entre o sujeito que inclina-se para parecer maior e aquele que inclina-se apenas para ver o céu.
Nós, em vida turbulenta ou ociosa, enxergamos o céu como um refúgio de alguma ilusão amorosa, nunca ideal, sempre copiada de todos esses filmes manjados. Fingimos admiração quando negamos um toque à cegueira. Forjamos misericórdia quando negamos um sorriso ao esforço na caminhada de um paraplégico.
E como num passe de mágica, nós nos damos conta de que passamos por todas as bênçãos disfarçadas de mendigos e decidimos compartilhar asas com um passarinho bonito. Visto que todas as nossas estações multiplicadas já completaram seus ciclos, morremos apesar da epifania e nem tanto amor descoberto livrar-nos-ia do inferno suicida.
Não permita que o momento passe por ti e acene, entristecido.
Na calmaria do despertar de todo este engodo profundo, realize-se, molhe a face e perceba que ainda há tempo. Atravessar ruas espalhando corações lilases, voar com pássaros roxos: a sensação é a mesma. A diferença é que o primeiro ato te salva, enquanto o último mata os milésimos do tempo que conseguistes gozar.
Seja vital para a existência alheia.


Um dia dormiremos melhor
e nossos sonhos revelarão nosso descanso!
Alguma noite enxugaremos o suor
e nosso esforço se fará manso.

Aquela vez, em que desviamos do pecado
e a consciência nos bradou,
Não esperávamos pelo paradoxo angelical
do sino mais forte que tocou.

Lá estávamos nós, juntos,
lamentando tanta ignorância
Lá estávamos nós,
avulsos, almejando purezas de tempos de infância.

Até que voltamos em vida
tentando reverter o destino
Começamos sem memória
e eis o por quê de tanto desatino.

Através das eras descobrimo-nos heróis
enquanto nossos desafios queimam retinas
tais como se fossem sóis
Não faz mal refletir espelhos sobre as encruzilhadas
Desde que regozijemos inclusive os tropeços singelos
na intenção das nossas jornadas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

_mommy, I'll be back soon.



Sentir o frio na ponta do nariz e escolher as frutas vendidas na calçada precedendo meu jantar. Acordar cedinho e ir ao campus de gorro e luvas, vivenciar metrôs e trens, conceder-me retorno triunfal a correios vermelhos espalhados pelas ruas. Lá eu comprarei selos e a saudade, todavia, será tão intensa, que escrever será sinônimo de verdade, mais do que nunca. Acima de tudo e apesar de 1ºs mundos baterem à minha porta, vou com a certeza de que cada folha de outono caída na terra ou que cada floco de neve fazendo cócegas nos meus lábios, remeterão, apenas, ao sempre-Sol deixado em casa e à doce maternidade que me concebeu orando por mim em meu lar.

Somos criados e introduzidos em culturas que em pesar de todo o erro, aprendemos a crescer amando. Sim, também aprendemos a amar, embora, por vezes, sintamos tanto afeto por outrém que sabemos, no raso e no fundo, que já nascemos amando. Inclusive, pouquíssimas “coisas” nos fariam ficar, nos pediriam arrego e diríamos ‘sim‘, nos convenceria a retroceder todos os nossos planos. E basta compreender que abriríamos mão de tudo por alguém, por amor, para que possamos partir em paz, buscar a nós mesmos através do mundo; buscar o mundo através dos sonhos. Terno desapego.

Afinal de contas, se um sentimento é recíproco e lindo a ponto de presentear-nos com a liberdade, nada mais sensato do que voar feliz e voltar apenas caso estejamos com algumas flores nas mãos. Receber e doar, não necessariamente nessa ordem: aprendizado teórico oriundo de nossos pais, cuja prática há de ser absorvida caminhando, com a Graça de Deus.

Quanto mais longe eu for ou o quão menos matéria eu conquistar, o que interessaria, na verdade, estaria guardado nos sorrisos que compartilhamos e nos olhares bonitos que eu registrarei no peito em seu nome.

Quando eu era menor, idealizava vidas ricas e fartas, pois era o que eu assistia de certo nos anseios automáticos na mente das pessoas. Eu só não sabia, ainda, que diferença mesmo fizeram os humildes e que, quanto menos você QUISER ter, melhor. Por um bom tempo, resumi todos os meus estudos e coloquei-os à frente dos meus reais desejos para que tivéssemos uma vida “melhor”.
A parte ingênua da história é que eu conhecia menos da vida do que eu já pouco conheço. Hoje, percebi por entre linhas tortas e letras muito belas, que melhor mesmo, bom, não é lutar para que tenhamos muito dinheiro, e sim para que fiquemos juntas.
Eu queria proporcionar-te ao menos metade de todo o bem com o qual me abençoou, mesmo em nossos tropeços. Talvez eu volte mais forte, talvez mais sábia ou inteligente, de repente eu até consiga mais instrumentos para te dar o conforto que boa gente como você merece. Com tanto ‘talvez’ e com menos rumo ainda, eu só afirmo e confirmo e reafirmo que eu sou uma moça muito feliz, cheia de amor no coração. ‘Talvez’ isso já seja um começo e, definitivamente, regressão não cabe na vida da gente.

Por mais transgressiva ou inofensiva que eu pareça, é bom saber que uma pessoa sabe quem, de fato eu SOU e no que eu quero me tornar.
Não há nada nem ninguém que eu ame mais do que você, mãe. Perdão é tudo que eu me sinto digna em te pedir e gratidão é muito menos do que eu te ofereço ajoelhada. Não importa o quão perdida eu esteja, quando eu penso em você, entendo o quão vale a pena cultivar o seu amor.

domingo, 17 de abril de 2011

Introspecto renegado?

Estava eu, degustando, passando a felicidade dentro da boca por entre rodopios de minha língua. Provava, até cantava, desafiando a gravidade, sem medo de que ela caísse através da proteção na muralha dos meus dentes. Seu gosto durou eternidades lindas, fazíamos de tudo, ela só pedia que eu não a mordesse.
A questão é, quando levas um susto, é possível controlar suas reações? Convites me foram feitos, oportunidades de um lado, renúncias, obviamente de outro, visto que são moedas únicas.
De sopetão passei a ver minha imagem como uma criança louca tentando agarrar todos os brinquedos da loja com mãozinhas tão pequenas. Naquela força toda almejando diversão e vida, o tempo passou rápido e percebi que até na sandice, não havia mais criança no reflexo do espelho. Meus bracinhos até cresceram, se desenharam com as linhas do tempo, todavia murcharam e empalideceram, assim que viram que não mais brinquedos satisfariam o seu suporte.
Envelhecemos com um certo tipo de sonho, que nunca morre. Objetivos e instrumentos mudam, a bendita essencial desse tipo de anseio, não.
Mordi a felicidade.
Entendi, logo, que a metáfora do dia é compará-la a uma flor. Que enche os olhos e amarga o paladar se atreveres a mordê-la.
Entendi, de brinde, que apenas os tolos estão satisfeitos.
Talvez, insatisfeitos e felizes ganhemos resultados bons de tanta reflexão, se é que eles existem.
Morreremos na dúvida, embora guardemos a verdade, assim como nascemos animais sob peles tão frescas.
Dádivas e maldições nos são enviadas sem rótulos, portanto esteja certo de que é possível que peques pela confusão de definição das mesmas. Isso, claro, se permitir que sua cabeça lhe guie. É, calcular é viável aos estatísticos que, ainda assim, não buscam um rumo, mas números que consertem as falhas sociais do caminho.
Se renegas dons, abres caminho a tropeços ingratos e por menos rumo que tenhas, há chances de que perca o pouco que conquistastes.
Ao léu estamos sob folhas secas de árvores laranjas. Brincar com suas securas ou pisá-las com raiva são algumas das opções.
Hoje? Aceito o fato de que, por mais que eu chore, verdade seja dita: não SOMOS se não FAZEMOS. Aguente quem puder, porque Misericórdia há para todos.
Plenitude, não..

Devagar e sempre.

Slow down, you're doing fine.
You can't be everything you wanna be before your time,
Although it's so romantic on the borderline tonight.
Too bad, but it's the life you lead.
You're so ahead of yourself that you forgot what you need.
Though you can see when you're wrong,
You know, you can't always see when you're right.

You've got your passion. You've got your pride,
But don't you know that only fools are satisfied?
Dream on, but don't imagine they'll all come true.

domingo, 20 de março de 2011

because if I had a hat,





a few dollars and a pair of boots,
my life would be the road,
my library would be traveling
and my future, a delightful mystery to unravel.



Our children will grow up happy
if we preach all we have learned
with all the colors of the universe
and all the music that we take account of spreading!

sábado, 19 de março de 2011

Cultivei uma árvore do caule à raiz. Ela definhou. Morreu. Mais espaço para a floresta.

Pesadelo, vai embora

se eu fecho os olhos
e te tenho vivo
prefiro abri-los
e sentir-lhe fora

chorar por ti
não mais aguento
é agonizar sorrindo,
alimentar tormento

os passados de erros,
peremptórios são:
minha recusa sem rumo
ditou minha condenação

ou condiciono o real
pensando em tudo
ou nego todo meu sono
tornando-te mudo

certamente quem diz
que a rejeição têm vez
controlando o pensamento
adotando a sensatez

nunca tropeçou de amores
atrasado no próprio conto
em que a luta apenas há
em conflito a violência do ponto

eis-nos reticentes
à pálbera justificando
ei-los decadentes
na esbórnia barbarizando

vidas no caminho
nos são postas
como se não existissem trilhas
além do relevo de suas costas

Dizem que temos escolhas
mas escolhem nossas sentenças
quando declaram guerra por nossos beijos
depois cavalgam em marcha rindo de tanta incoerência

cada verso se alonga em proporção à minha revolta
ainda que o chão seja finito e as flores estejam mortas
enxergo-me com as asas quebradas, deitada e sem escolta
esperando forças para que eu me resgate em nome das próximas portas

lanço sementes de um fruto podre
em terra féril a qual adubo com a mão
o que era plano se torna profundo
em raízes regadas de emoção

a esperança é que a palavra suma
mesmo que junto, a minha inspiração
o caos, eu desejo que durma
e liberte a minha sensação

finitas são as estrofes
no féu de uma poesia
fotossintética
e esguia.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Tempo.



Perdendo a pretensão, como também o êxito. Chorando de emoção e rindo de nervoso, vejo quem me quer e não correspondo; quero gente que mal me olha e sinto muito. Lembro de todos por quem morreria e percebo a quantas mortes em vida já me submeti. O detalhe da ilusão é o que te condena, na verdade: aquele minuto definitivo em que substituis todo o real pelo imaginado é o ápice da trama que te envolverá. Porque, de resto, amigo, é só queda apesar dos tantos pulos aos quais recorrerás. Nada, nenhum salto ou qualquer um dos seus impulsos mágicos te levantariam enquanto constróis abismos privativos. A não ser que evites o tempo. E evitá-lo logo. O tempo é a mais esperta das miragens, pois te confunde quando suspende sobre si próprio a eternidade das boas horas e, em seguida, quebra o seu castelo de perfeição aparente para que supliques por mais tempo. Render-se, não. Não interessa o que ele diga, o tempo é todo seu. E assim como todas as nossas posses, façamos, desta, o que melhor for para desfrutá-la com desapego nulo e rendimento beirando a matemática.

segunda-feira, 14 de março de 2011

registro, apenas.

"Quantos encontram inefáveis gozos
Nesses prazeres para mim tormentos!
Quantos nos mares onde a morte enxergo
Abrem as velas do baixel dos ventos [..] "

Behold me going!

domingo, 13 de março de 2011

Halcyon.

Apesar do êxtase das músicas, dos sabores, dos beijos com os quais o destino nos presenteia, da magia dos sorrisos, das palavras de amor, do cheiro dos livros e das fotos que nos devolvem alegrias;
apesar do auge quase insuportável da angústia de nossas paixões, da saudade que tenta nos consumir, das fugas através das quais cometemos erros tolos, das dores corpóreas ou cobertas de emoção e de todo o caos do planeta;
apesar do ápice latente entre o bom e o ruim, o pecado e a virtude, o tempo e o espaço e embora seja inspiradora toda essa intensidade e a pele à flor dela própria com a qual a mesma se identifica, equilíbrio é chave de segredo universal.
Assim que abres portas com o mesmo, tens a imensidão ao seu alcance e nada mais importa tanto quanto a paz de deveres cumpridos e amores não só conquistados, como sentidos.

Sliver!



Até que caminhando por entre
símbolos de status,
peças de um ideal globalizado,
percebes que és capaz de sentir desde vontade
à náusea.
De todas as vitrines que mais se dizem tentadoras,
de todos os preços menos viáveis
enlouquecidos por alguém frio e rico,
olhas para o preto das tendências e fica
nítido
o vazio de tudo isso.
O que mais faz sentido, na verdade é o cantor mal vestido
que te fascina na calçada
ou o garçom alegre tal como se estivesse embriagado,
enfim, todo mundo que já perdeu o nexo
nos olhos do resto do mundo vizinho,
carrega, em seus olhos,
a perspectiva pela qual vale a pena viver.
Tentando chutar os frutos dos males,
sem que suas raízes sejam de sua conta,
passas, daí,
a curtir o interno artístico de valor de ouro
que talvez só substitua tanta matéria
depois que aprenderes a ensinar algo.
E quando alguém quiser aprender, de fato,
as camisas rasgadas
ou os tênis de astronautas
as baranguices de nossas festas fantasiadas em todas as nossas mentes
serão exaltados e cuspidos, em seguida. Aplausos!
Pois já não seríamos mais marionetes,
mas apenas bonecos de pouco pano
e muita vida nas mãos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

what else should I be?!

Apaixonando-me por mim mesma,
assumo a loucura com a voz que ela merece,
tal como a heroína que esbraveja em si
solta e alta,
encorajando a vida honrosa contra o escárnio do mundo
Gritando lindamente!
Reconhecendo a minha atuação de drama
pintando paredes secas com o sangue do que já passou.
Dentro do que devo ser
cabe toda música
e qualquer gesto sem vergonha,
aquele que ri de si mesmo e continua dançando.
A imagem da companhia não interessaria nunca,
já que em todo canto tem gente
e em toda gente tem um pouco de tudo,
embora haja quem seja apenas um tudo de muito pouco.
A busca só tem fim quando você pára de procurar
Que tesouro tão valioso, afinal, haveria de existir
em tanta podridão mesmo?
Já nasceu comigo a idade que acumulo
e madura que nem banana verde eu escandalizo
porque me amo!
Assim como amo você, ele, ela
e a poesia maluca de gente drogada
espalhada por aí.
Nos meus becos existem luz, pois sobrevivo por pensamento.
Na cabeça que vos fala tem artista, pirata, palhaço e escrava.
É muita ocupação pra uma eternidade tão pequena.
Jogar-me-ia na perspectiva insana que todos acreditam
pelo simples fato de que,
pra mim,
normalidade não existe.
As etiquetas são todas suas. Aproveite-as enquanto eu brinco no meu quintal sem fim.

terça-feira, 8 de março de 2011

letting it.

Because everytime we try to make this sick love life begin to work, we commit more mistakes than we were commiting when we were quiet and alone. Loneliness is cruel some times but it teach us a lot how to act in front of worlds and people. Loneliness is like the good theory and the problem starts since we decide to practice it without being prepared. I’m pretty sure though that if I had never walk looking for reasons to live maybe I had never write and feel the kind of poetry that I created to myself. Not that it is a huge thing, the point is, how could I tell me not to do stuff if I had never saw that some type of attitude is wrong? Despite being my eternal sorrow, all my regrets made me grow up and I can not be hapier, but I’m clearly more mature and humble. Perharps it’s even better, ‘cause happines.. Well, happiness is on the right road and I’m just sewing good shoes to hit it. Shoes without wheels, ’cause I don’t wanna hurt the soil or miss the Sun set with my speed. My shoes will have litlle wings and a tiny bag of bronze powder behind it. So I can fly slowly to sing with baby birds or a bit faster when joy surprises me through the nature. The tiny bag of glow would be my secret magic power so I could make my own stars. The rest, friends, conditions, all the blessing part I give to God’s hands. If there is one thing I learned most it is that some situations and some people that shows up in our lives, just appears so we can stop running to their arms or stop trying walking bleakly apart them. All we have to do is leave them a sparkle of grace embracing a message: “I’m away and I’m always here either. Join’ me if you want but let it die if you not. We will rebirth someday and angels will be on a mission of mercy.”

sábado, 5 de março de 2011

ceacht..



Não adianta recolher-se com pensamentos impuros,
pois eles se materializam e batem à sua porta.
Pouco importa, porém, evitar paixões,
se nem consegues resistir às suas surpresas.
O enfrentamento é a constante voz que escutas em seus pesadelos
e a imagem retorcida que evitas no mesmos.
Sabes, em consciência quase clara,
a postura digna alvo de seus objetivos.
O que falta é peito pra educar os suspiros que te usam.
Não é que dê pra domar o acaso,
apenas não desmorone quando a figura de seus sonhos
vier.
Porque escolhas certas definem as temporadas.
Basta saber em qual estação mora teu sossego.

Some ou fica. Eternize-nos e vá.

Eu queria conseguir te olhar nos olhos um dia e te contar da vontade que eu sinto por seus braços. Eu não preciso de nada mais que o toque vagaroso e firme da sua pele rosa. Nem todo o sexo do mundo substituiria a lágrima que escondo do meu rosto quando você me abraça. Tira a blusa e fica parado, olha pra mim e sorri: eis o retrato da melhor parte da minha juventude. Eu não preciso de êxtases ou de grandes declarações, se por acaso um dia eu sentir a verdade da sua reciprocidade. Queira Deus que sejas tão feliz quanto os sonhos que tenho contigo. Antes fosses mal caráter, uma má influência, mas o pior disso tudo é que reconheço tanta virtude em ti, que eu não me permitira culpá-lo por suas fugas. Ainda que eu treine em pensamento, por mais que eu tente me preparar para o grande dia em que a gente se encontrar, você sempre me surpreende primeiro e surge do completo nada. De Pantera então, transporto minha vida a uma espaçonave sem órbita ao som de Aerosmith. Imagino como ia minha vida sem ti e observo a minha perdição conformada, repleta de valores e rotinas saudáveis. Basta que me venhas notificando sua existência “esquecida” para que tudo vire tontura de novo. E mesmo assim quando eu vejo o estrago, me vêm você todo macio, alvo e sereno, querendo sabe-se Deus o quê. Aí... Longos suspiros. Como eu fico? O que não presta tenta tomar meu corpo, então, e me vejo querendo beber, correr pelada, chorar até que um abismo me ache e esqueço do futuro o qual eu tanto planejava. São tantos pesares! O maior deles é pensar que te suportaria, te ajudaria, te comeria, te amaria a minha vida inteira. E se isso não for possível, continuo te desejando bênçãos que nem a mim anseio, por falta de merecimento. Se por um lado te quero bem longe, sendo sinceramente muito feliz, deixando que eu conheça meu príncipe calmo, charmoso e apaixonado; por outro, só vejo seus olhos. Há quem diga “Amor.” Há quem diga “Otária.” Há quem diga “Paciência...” Essa sou eu no espelho, cujo reflexo enxuga minhas lágrimas de menina, enquanto estapeio meu peito. Drama é pouco, o combustível de nossas histórias é tão salgado quanto nosso choro.
Eu queria te transformar num conto bonito, espalhar você pelo mundo, para que todos entendessem a sensação linda que é tocar você e, de certa forma, te amar. Depois de transformar-te em vento, eu saberia que voarias feliz por aí e toda vez que o ar se animasse eu lembraria de ti. Com paz no coração, pela lembrança divina que construí em vida. Livres e sós, perseguiríamos nossos destinos de luz. Caminhando e esquecendo sua agonia, sua textura e sua angústia, eu aprenderia a conviver com o seu cheiro sussurrando censuras nos meus cabelos e, de repente, você, em sua natureza de vento, perder-se-ia por todos os ares, amigo e terno. Aliviada e tranquila, alguém despontaria do outro lado da ponte e conversaríamos sobre os ventos que deixamos para trás. Dalí sim, nasceria um amor sem traumas e desenharíamos tudo juntos, com as dádivas escritas do tempo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

skillful.



Às vezes o receio me surpreende calado por meus passos em círculos ou pela repetição da solidão da qual me queixo. Todavia, o que seríamos se não crianças perdidas em encrencas distintas, cometidas pela ausência aparente de nossos protetores para impedir-nos. Direcionamo-nos, portanto, com a educação mais afável aos nossos olhos e choramos, apenas, pelo abraços que não conquistamos durante mais tempo.
Chega o momento em que retiro a pluralidade da primeira pessoa, para que fique clara a bagunça da conduta que me guia, em maior parte, muito diferente do restante desse jardim de infância em que vivemos. Cresço, assim, em conformidade com o que os aprendizados escancaram diante do mundo e, quanto mais erro, mais me refugio na brancura dos meus sonhos para resistir, não só às tentações, como também aos vilões confessos de toda a história.
O dilema confunde, em ápice, quando o prazer perde a sua máscara pesada no rio. A máscara, linda e sedutora segue boiando, em graus de velocidade inconstantes. Vê-se a tal sumindo, voltando e, ainda que ela se perca no mar, seu fascínio misterioso dificilmente sái do pensamento. Quando sái, o que percebe-se é o prazer desmascarado, ali, na margem do rio. Cru, estranho à coitada natureza humana, meio abandonado. Sem a beleza de seu rosto pintado perdido nas águas, o prazer bruto permanece quietinho torcendo para que o vento leve o cheiro das flores ao redor próximo ao seu olfato e desejando graciosamente o toque de algum menininho brincando no bosque.
Porém, dotado, agora, apenas de encanto relativo, a verdade é que o prazer, seja ele gustativo, sexual, preguiçoso ou visual, depende da força e da vontade de quem o encontra para existir sem torpeza. O que significa que tudo pode ser motivo de vício. O cosmos é tão grandioso e detalhado que, em todos os seus 5 e sextos sentidos podes encontrar prazeres e, logo, ser tentado em variações mil de partes tuas que nem sabes que há.
O desafio? Para quem a graça não acaricia em essência instantânea, pintar o prazer primeiro por demasiado pesaria sua face de tal forma que, perder-se-ia no rio a máscara uma vez sobreposta por ti. Tu? Terias o resto de seus sempre jovens dias buscando por algo que sequer sabias o propósito e lamentarias a beleza obsessiva que criara em certo tempo ocioso.
Por outro lado, o sujeito bitolado na palidez do prazer que encontrara à margem, cairia em desgraça pelo medo de pintar tudo que tinha e perder tão pouco. Ele viveria com pouco, ainda assim com medo de perde-lo.
Feliz? Seria aquele que, pulando por entre árvores meigas e arbustos macios como algodão, encontrasse o prazer. Ponto. Dalí, provaria teu gosto sem afoiteza ou aflição; observaria seu rosto de nada e desenharia o que mais importasse em vida ao mesmo. O prazer continuaria leve, com valor honroso, beleza inspirada e gosto de mel. Seria deleitado sim, acrescentado, o Feliz daria pernas ao mesmo, para que as suas continuassem livres. Até que o novo prazer seria outro sujeito e resgataria os demais prazeres perdidos por aí.
A tentação não é mais relativa quando entendes ‘por quê’ tentar evitá-la.
Se há algo que não presta dentro de ti, jogue-o ao rio. Existe um poeta que repousa na margem de todas as tuas sensações. Exalte-o com o coração; entregue-o teu pincel.

_take this time and..



Alguma alegria seria bom
No retorno triunfal à poesia,
todo o atraso perderia seu reflexo:
nem sombra, tampouco cinza;
o 'adiante e sempre' moveria montanhas!
E rios claros,
e folhas repletas de gotinhas geladas,
e ainda todos aqueles sabores e fotos
que preencheriam propósitos lindos em álbuns caseiros,
construídos aos ombros da natureza.
A eternidade falaria tão alto, que qualquer grito
além do mal
riria da crueldade dos homens que,
arrependida, redimiria-se à vida
e sorriria conosco.
Sobrevoando um futuro de glória, estamos.
Cabe a nós abrigar as bênçãos das paisagens.
A inocência, no entanto, com medo de ser quebrada, esquece que é feita de ferro.
Ferro branco coberto de plumas,
sósia de anjos decaídos.
Certos sopros tentam despí-la, chamam tornados "amigos",
conferem a fúria dos ares e
nada.
Desconhecendo seu poder e sua força, a Inocência se esconde e chora de cócoras em toda arte que a emociona.
Até que, um dia, ela encontra outra Inocência,
voando feliz e distribuindo beijos a fadinhas menores
e percebe que ela voa sem cair,
ri
sem culpa.
Como se não bastasse, a tal miragem lhe estende as plumas intactas e lhe sussurra com frescor:
"Mesmo com todo esse tempo em que compreendes nossas sinas,
eu te espero
no mundo.
Com uma pequena lição de cada vez.
Nem todo alto é abismo certo:
dependendo de quem pula,
a cinética reverte-se em felicidade."

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011



There is no force on Earth
more powerful thant the will to LIVE.'
De que adiantaria intrometer-me na multidão? Ninguém entenderia minhas lágrimas mesmo. Possivelmente comparar-me-iam ao drama ou à indiferença.. O que seria radical ao alheio seria a minha constância. Vendo que tudo me emociona, eu seria fraca; vendo que nenhuma matéria me fascina o bastante, eu não teria sanidade. Se eu tocasse numa maçã e a brindasse com alguma mulher de rua, a caridade passaria desapercebida, já que, em minhas mãos, as unhas estariam mal feitas. Por um lado é bom que não notem nossas benevolências: sendo a bondade, voluntária, que apenas Deus veja e sorria. Por outro, é triste que deturpem tanto nossos propósitos. Significados eu carregaria pela cidade, pelos recintos, através dos anos. Ainda assim tentariam me corromper, me influenciar ou me denegrir. E mesmo os simpáticos continuariam sendo simpáticos até mesmo nesses meus olhos tortos. Porém nem eles compreenderiam meus temas ou o meu silêncio. Então... Pra quê? Todo dia que passa, caminha, corre, toda Lua que brinca com a fantasia da gente, em cada um deles torna-se gradativa e certa a liberdade de nossos arbítrios. Temos famílias pré-destinadas e poucos fatores de teor imutável. Todo o resto é tão facultativo que sentir-se torturado por erros próprios é compreensível. Se existe pecado na solidão, há, também, temor em apreciá-la. Entretanto, se aprender a amar desconhecidos, cultivando o próximo sem laços estreitos; caso haja algum resquício de respeito humano ao preservar nossa intimidade primeira; se o privativo reconhece a honra do coletivo, mesmo não sentindo-se parte do mesmo; se tudo isso tiver aval e bênção, talvez eu ainda tenha chance sendo tão ninguém.

guts.



Às vezes eu acho que Deus me criou exatamente, em forma e condições perfeitas para que eu fosse feliz. É como se cada intervenção que eu fizesse me diminuísse, tirasse, de mim, a felicidade original a mim prometida.
Mamãe me falou hoje que pessoas nascem com dons pela dignidade de suas almas, mesmo que seu comportamento diante da vida e das pessoas seja duvidoso. Isso aconteceria porque o mundo corrompe a gente e nada mais insuportável que abandonar a paz cristã do mundo do qual viemos, em busca de certa inserção. Daí, tudo apegável seriam os nossos talentos, visto que representariam todas as bênçãos pelas quais lutamos por merecimento em todas essas vidas.
Fraqueza é uma palavra irritante, já que livros, filmes e anjos nos mostram a facilidade e leveza do contrário. Basta uma manhã bonita e pensamentos altivos para pensarmos que sim, também podemos ser fortes. Até que saímos de casa...
Lidamos com gente auto-piedosa, percebemos gente corrupta, desonesta, vomitamos ao passarmos por gente cínica. Enfim, saímos do lar e vemos gente sobrevivendo. Pessoas que, não necessariamente por mal, nos "ensinam" a não deixar que nos passem pra trás ou a caçar com as "melhores" armas. Alguma coisinha brilhante dentro de peito nosso, diz pra gente que algo está errado, no pesar da ínfima diversidade da intenção através da qual tentam nos influenciar. Quando damo-nos conta, no entanto, já cometemos erros.
A angústia, logo, torna-se maior do que a incerteza do princípio e crês piamente que ficar parado ou quieto é estupidamente melhor que escutar os impulsos alheios.
"E onde fica a aventura? O que aconteceu com a magia da fração do momento?"_pergunta a parte selvagem do espírito.
"Maior do que a energia moral que desbrava tudo ao redor, é a coragem em permanecer na trilha. Muito provavelmente não morrerás com troféus ou grandes títulos em seu nome, porém teu lar será construído por medalhas de honra ao mérito e toda grande dádiva que encontrar-te no caminho terá vindo direto do Reino dos Céus."_responde a sabedoria.
Há quem diga que o arrependimento é frágil e só deve ser sentido, caso não tenhas tentado. Eu me arrependo de toda ferida que alguma palavra que eu disse tenha resultado, eu me arrependo ferozmente de todo local sombrio que pisei. Porque, ainda que na inocência da descoberta, muito do que vivemos, vivemos mais por curiosidade do que por precisão. E, podendo voltar atrás, nada mais eu faria do que usar a palavra como mensagem amável e aproveitar meus passos em recintos de luz.
Na dúvida, reze. Instintos são tão confiáveis quanto a preguiça, que dorme, sonha, mas não te deixa caminhar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pleasure is on the other side.

Ando livre e sorrio para o céu, mas talvez os filmes sejam só filmes e, em vida, almas gêmeas sejam para poucos, assim como a liberdade não presenteie qualquer um.
Não sei em que categoria Deus me classificou, até mesmo porque posso não ter vivenciado nem metade de tudo que me foi proposto. Digo que, talvez, de repente, quem sabe, eu encontre meu número escondido ou lendo de cócoras em alguma árvore gostosa.
Posso, também, apenas dar de cara com as minhas asas ao longo de algum rio cristalino, daí não seriam necessárias todas aquelas lágrimas derramadas em cenas de amor.
Afinal, minha classe definiria-me feliz por natureza, feliz sem nada mais, feliz com pouca esperança de um Além romântico. Pouca, porém jamais finita.
Somos luz encarcerada em corpos ingratos, belos, pequenos, fracos ou fortes. Toda matéria que nos constitui, desde a mitocôndria de nossas células até o abajur com o qual juntamos moeda para adquirir, bem, tudo isso acaba um dia. Somos ilusão do plano espiritual do qual viemos.
Nada mais justo que brincar com a nossa fé bonita e alimentá-la com toda a esperança de arte imaginada. Escrevamos significados por aí, façamos música com alguma criança chorosa: provoquemos risos honestos; compremos o bendito abajur pra alegrar manhãs efêmeras; leiamos livros rasgados; desde que o tudo e o nada tenham essência amável, incorruptível. Entender, portanto, a diversão no construir, fazer cócegas no medo e sensibilizá-lo por consequência, não o torna apegado à ilusão da vida. És, na verdade, um pescador dos próprios sonhos: talvez não alcances todas as bênçãos que gostarias, porém, despretensioso, bem humorado e tranquilo, não precisas mais do que algumas iscas para fisgar peixes-surpresa, (já que não avista-os antes que saiam da água.) Peixes que, muitas vezes, nem saciarão sua fome ou não poderão decorar aquários; muitas vezes, inclusive, pescas, sorris de sua própria ignorância e jogas o pobrezinho ao rio de novo. O interessante na pesca que fazes em toda sua conduta livre é o simples fato de que, ao menos, vais pescar.
Haja disposição. Haja paz.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

tell me how the pain supposed to go..'



Até que ponto nossas ideologias afetam nossas escolhas?
e vice-versa.
Porque até o ponto que sussurra "Relaxa!"
dorme e acorda suado, tentando entender o que aconteceu com aquele degrau antecessor da consciência. Há quem chame-o de sub-consciente, eu dirijo minha pessoa ao mesmo como intercessão. Sabe a Embaúba que fica em cima do muro entre a Mata Atlântica e o Cerrado? Assim têm sido meus sonhos em meio ao equilíbrio cansado que prezo e às angústias "salvadoras" que despertam-me ao chão.
Talvez no dia em que eu me lembrar que a terra também descansa os pés, apesar de sujá-los; que a água também refresca o pescoço, embora possa sufocar até a morte; ou que o vento também corta os pensamentos ruins, ainda que tenhas que fechar os olhos para não cortar a literalidade de sua visão. Bom, talvez nesse bendito dia eu viva em paz e morra em liberdade.

Noite passada eu dormi e deparei-me no colégio de novo. Todos os meus conhecidos, recentes ou nem tanto, encontravam-se no recinto, em bando! Ninguém me reconhecia. Na medida em que eu entrava em desespero meus supostos amigos em vida, zombavam da minha feiúra em pesadelo. Procurei um espelho e me dei conta de que não havia nada de errado comigo. Inclusive percebi doçura no meu rosto assustado. Enfim, dosei-me com certa confiança e bravura, e continuei buscando alguma alma amiga. Nada. Corri, não aguentei a acidez do momento e minhas lágrimas começaram a falar por mim. Foi a conta do primeiro soluço expressar minha aflição: parei. Tudo à minha volta não tinha mais importância, inimizades tornaram-se vultos, porque, à minha frente, cruzando a porta clara, surgiu meu pai. Todo de branco, um todo paradoxo devido à calma do seu semblante confundindo-me com sua postura altiva, quase heróica. Disparei em sua direção, em berros e tropeços, até que abracei-o como nunca tive a chance de fazer em vida. Nessa. Papai retribuiu o abraço e sem palavra alguma disse-me que pronto, não havia mais por quê eu sofrer tanto. Ele estaria sempre ali, quando eu mais precisasse. E quando eu não precisasse tanto, ele já não duvidava mais do meu amor.
Acordei chorando.
E eu,
mesmo forçando bondade em letras ou fazendo figa para que minhas intenções não vejam suas essências tentadas nunca,
ainda tenho feridas em espírito. Quanto mais elas se fecham,
mais vivos e belos serão meus sonhos.
Acreditar que somos o que fazemos, que pouco importam nossos pensamentos; isto é, crer que não existe maldade em teoria, apenas em tiros ou agressões materializadas seria, provavelmente, a propaganda do pesadelo na caça por algumas vítimas.
Cuida do que lês, do que assistes e, sim, do que pensas! Visto que tudo que ainda não conheces será erguido por todas as suas verdades secretas.
Dormirei tranquila.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"I don't want anything."



Preferiria mesmo o anonimato, não cobrar-me que eu sinta tudo isso, pouca gente ao meu redor, sorrisos solitários. Desde que até o nada fosse puro e tudo que me restasse fosse a imensidão de uma cachoeira cristalina por desbravar.
Nem o mistério de sensações escusas motivariam qualquer passo ou excitariam alguma função.
A onda é a da preguiça alheia, sabe?! Sem nenhum orgulho em existir, no entanto.

Sorte que me come viva
e me cospe na crista da aflição,
por vezes também encontra meus restos na saliva
e devolve a magia da vontade.
É, nesse nível de asco.
Não desejo nada. E a verdade é essa.
Não preciso de nada. De toda essa matéria que corrompe a gente,
por todas as pegadas que confundem alucinando sentidos evoluídos,
não temo nem a sombra do passado, tampouco o vazio do presente.
Já que futuro não existe eu leio como se fosse imortal e assisto a Céus cintilantes ou foscos, como se um pássaro fosse surgir do Além para me contar histórias.

Conviver com o nada é difícil pra quem não sonha ou pro meu eu-lírico desesperado em madrugadas de ócio.
Inclusive o tédio é uma opção. Se escolhes vivê-lo admita seu sono.
O momento que sussurra me deu UMA trégua. E talvez eu não me confunda mais.

Até a caveira que um dia sobrepôs a pele
sorri e se lixa pro medo alheio
Muito susto que ela ocasiona
de repente surja apenas de um desejo comum pela salvação
ou por entretenimento.
A arte encontra êxito, portanto, no crânio estilizado por olhos que enxergam a ternura que um dia ele foi
ou o Metal com o qual inspirou vida.
Revivamos!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

touch.

Parar de fingir que eu me importo.
Digo, começar a negar lágrimas às energias que provocam meu drama.
Permitir alegria construída em pilares humanos. Torres de humildade facilmente escaláveis! Por trepadeiras e flores impregnadas em tijolos vivos!
Teríamos tudo ao mesmo tempo! Tesão e êxito, seguido de manhãs lindas e mãos dadas sem suor.
Querer demais madrugadas a fio e ainda assim não precisar de absolutamente nada!
O espaço e o tempo seriam mero fruto de imaginação doente, aflita de tanta vontade.
Enquanto pensas que render-se ao fogo é regressão, vem a água e te satisfaz com a mesma malícia. Ou seja, nada afasta o caos do prazer.
O que fazer, portanto? A lembrança te alerta o perigo e a doçura dos contos te atissa.
E nessas horas sentimos a auto-piedade por antecedermos amigos nossos querubins
e nessas horas Deus atropela nossos dilemas com a alegria pura que seria a simples hipótese de desfrutar a carne, o Céu, o sabor e a visão.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A memória da alma, o destino do intelecto.

VÁRIA - Acho você melhor quando fala sobre Astronomia. Fale um pouco.
LIUBA - Não. Vamos voltar ao assunto de ontem.
TROFÍMOV - O que é que era?
GAIÉV - O orgulho humano.
TROFÍMOV - É. Falamos muito e não chegamos a conclusão alguma. A senhora vê o orgulho como algo importante, místico. E, do seu ponto de vista, talvez tenha razão. Mas se olhamos a coisa simplesmente, sem floreios, que orgulho é esse? Que sentido tem? Fisiologicamente, o homem é mal construído; intelectualmente, é retardado; e, de modo geral, é grosseiro, brutal e profundamente infeliz. De que se ri a hiena? É preciso acabar com a auto-glorificação da espécie e... botar mãos á obra! Trabalhar. Que é o que interessa.
GAIÉV - Será? No fim todos morremos.
TROFÍMOV - Quem sabe? O que é que quer dizer morrer? Talvez o homem tenha 100 sentidos e quando morrem os 5 que nós conhecemos, 95 comecem a viver.
("O Jardim das Cerejeiras" - Tchékhov)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

so I left!



A sensação boa do dever cumprido é usufruir de qualquer toalha para enxugar o suor, já que, por mérito, houve suor afinal.

Diriges sob Sol escaldante e tudo que tens em mente é a sombra que nunca chega e a música que te distrái. Ficas, portanto, entre a vontade de estacionar e o fôlego do som que te move.

No caminho vês gente sorrindo, sonos profundos, alucinações reais de um mundo do qual tentas despedir-se. Estamos em contagem regressiva, todos. Porém é na sua intimidade que depositas crescimento.

Até que o dia chega e, "coincidentemente", a gasolina finda-se em concomitância cósmica ao destino que esperavas. Todas as horas da viagem, logo, passam de valoração cansada ao mais pesado dos potes de ouro. Ficas tão feliz que pouco importa se o baú de tesouro encontrado comporta diamantes ou doces raros. O que querias era apenas a sombra, lembra? E alguma melodia que o fizesse respirar sem culpa.

Talvez alguém normal, em sã consciência aterrissada, abrisse a raridade ao pé da árvore e arrastaria Céus e Terra em busca de algum combustível que o conduzisse ao luxo.
Assumo, no entanto, aquele tipo aéreo, um autismo bem intencionado tradutor do desapego.

Olhei para o destino então, pisquei para o horizonte e usei meu baú com o mistério de uma criança. Enterrei-o tal como em filmes de pirata e saí pulando pelos campos de uma estrada sem carro. O princípio machucado que me tornava à margem, marginalizada, pobre moça, desfez-se em beijos ao vento e em cada árvore, agora, deparo-me com uma DESculpa para ser feliz.

a kid on the run with fists full of dreams..

"Há pessoas que desejam saber só por saber e isso é curiosidade; outras, para alcançarem fama e isso é vaidade; outras, para enriquecerem com a sua ciência e isso é um negócio torpe: outras, para serem edificadas e isso é prudência; outras, para edificarem os outros e isso é cairdade."

domingo, 6 de fevereiro de 2011

NO MORE DRAMA.



I've been sewing wings on my back.
Like I'm living in Heaven!
Deserving happiness.

Somebody to love.

Que folha linda... Peguei este lápis com a intenção de retomar meus desenhos utópicos e reativar minha caixa bonita de lápis de cor. Cortei meu dedo hoje à tarde abrindo uma lata de atum e espremi uma espinha ingrata na pontinha do nariz. Bom, estou machucada e meio feia e quis me consolar na estética doce de tanta letra cursiva chorosa.

[Na página seguinte desenhei uma moça, supostamente eu, idealizada em formas e cores. Vesti-me em traje azul claro e permiti-me a companhia de um pássaro verde-marinho, uma borboleta coral e tulipas roxas. Nas minhas mãos estavam dois livros, um em cada. E meu semblante, assim como o avental cobria meu ventre, era simples e fascinante. Na figura, é como se eu fosse uma daquelas professorinhas do início do século XX na zona rural de algum país tranqüilo. O céu me abençoava com nuvens leves e a natureza sentia a minha presença.]

Penso em bibliotecas comunitárias, crianças regeneradas, literatura gostosa na ponta da língua e zonas de desespero transformadas em clínicas de paz. Penso em paredes pintadas sob tons celestes e em cada projeto escrito de tornar-se poesia vívida. Mas... O que poderia eu, uma quase mulher parte tão perdida, parte tão encontrada, fazer para sanar dores alheias possivelmente maiores que as minhas?
Eis o momento em que priorizo todo o suor do meu estudo, bem como o prazer em sua forma mais pura. Sabe, por vezes acho que é mais difícil do que parece, abrir mão de certos gozos juvenis, tais como o alívio de umas duas doses cítricas ou o carinho de um sexo apaixonado. O pesar, no entanto, que sempre me vem à tona quando vejo-me tentada, è a necessidade de uma suposta alma gêmea para realizar toda essa juventude.

Se me permite a observação, folha bonita, eu diria que preciso mesmo é de alguma doçura que recomponha a minha essência. Porque tem sido cada vez mais difícil negar-me regozijos e ainda perceber minhas mãos atadas para tratar de missões maiores.
Se eu pudesse trocar afagos com um namorado de fibra moral em evidência... Talvez seu espírito musical alegrasse mais a minha estrada e eu sentiria desejo, de fato, por essa vida simples que admiro.

[Na página final, ilustrada por um gatinho bege brincando com balões em formato de coração, dei-me conta da fragilidade de nossos peitos e dos descontroles acidentais aos quais damos brecha quando sentimos algum tipo de paixão. Enxerguei, portanto a facilidade em estourar essas bexigas. Em repente constante, tudo que almas sonham obtém gênese na família ou na força evoluída que o seu conceito exerce sobre nós. Desenhei uma mãe, um filho e um pai: todos sorrindo.]
Quem sabe um dia tenhamos a sorte de um amor tranqüilo. Sim, pilares compartilhados para todo nosso potencial em qualquer um desses mundos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Bare.

Quer saber de uma coisa? Foda-se o meu passado e todas as circunstâncias que me obrigaram a fugir da esquisita que eu sempre fui. Assumo-me aquela estranha taciturna, cujo maior busca era por ser a prosopopéia desse monstro que vêem como o politicamente correto. Nunca gostei dessa bagunça, nem dessa pesquisa tão infundada e cruel pela beleza, ou pela vaidade em exibir simbolismos vazios.
Depois que conheci a tristeza profunda e que entendi que a solidão seria a minha única opção, forcei demais a barra pra parecer algo ou simplesmente pra mostrar-me o oposto. A verdade é que eu não me importo mais com os olhos que enxergam a menina que fui sentada no canto ou hospedada na biblioteca mais próxima. Também quero que morram todas essas intenções pervertidas de gente podre que me julga pelo que deixo de vestir. Por mim eu usaria uma camisetinha da Mulher Maravilha e um par de botas azuis e mais nada! Quem passasse rindo ou babando ou condenando seria mero fruto das partes obscuras da minha própria imaginação, cuja tendência, aliás, seria um gradativo sumiço pacífico.
Passei uma pré-adolescência angustiada tentando enfeitar-me, assim como um final de infância perturbado com tanta sede de conhecimento. Já ta passando da hora de eu ser exata e simplesmente o que eu DESEJO ser.
Não gosto de autores nacionais, to cansada de me machucar com sutiãs duros, odeio salto alto, não suporto filme escroto falando de líder de torcida. Queria nunca ter conhecido essa merda de música sem letra ou sem melodia, que um dia eu já julguei razoável, por falta de personalidade. Eu to cansada de omitir tudo que eu odeio e de só falar de amor por causa de toda essa culpa irracional que eu carrego em ser humana.
Deus, um dia até peço que me tornes anjo e que eu consiga, de fato, amar todo tipo de arte e quaisquer meios de vida. Eu só não agüento mais medir cada passo em experiências que, sem querer, eu me permiti conhecer. Neste momento, tudo que eu mais queria era voltar no tempo em que me fiz moça e ligar um foda-se GIGANTE pra toda patricinha que zombava de mim e pra todo amor platônico que jamais me olharia se eu não tivesse abandonado aqueles óculos e todo aquele gel.
Mas sabe, eu enxergava bem melhor de óculos e o gel aquietava meu cabelo, que sempre me atrapalhava a estudar. Eu usava vestidos até os joelhos, e não me importava dessas canelas finas e dos meus pés machucados. Tudo que eu queria era ler o mundo! E eu lia. O amor da minha vida nunca me olhava com paixão ou com vontade de desvirginar minha boca, mas meus colegas e quem apenas sabia da minha existência me viam ou com respeito ou com deboche. Não havia meio termo. E a vida era mais honesta assim, mais clara.
Sinto muita vergonha de mim, de Deus, dos meus pais, por eu ter me deixado levar pela revolta com toda aquela minha invisibilidade. A minha moeda nunca foi a do bem/mal, e sim a da tranquilidade/caos. Ambos os meus lados nunca tiveram más intenções ou abrigos duvidosos, o problema era que meu caos me deixava sozinha num bosque parado e eu precisava me mexer por entre as árvores.
Tirei a roupa, comprei blush e uma máquina fotográfica e até mudei a cor dos meus olhos. Mas tudo que consegui foi lançar a minha moeda e uma sucessão de quedas para o lado da tranquilidade. Bonita, fora do caos, eu ficava sempre lúcida e envergonhada das medidas que eu tomei enquanto estava perdida na floresta. Ou seja, na busca por olhares amáveis, deparei-me toda manhã, com meu próprio olhar míope e castanho, perguntando a mim mesma qual era o problema em ser aquela nerdzinha humilde de coraçãozinho tão sensato e bom.
Nunca acreditei nessa história de “O Bom Selvagem’, em que nós todos nascemos exemplares e nos corrompemos com o mundo. Tudo balela, já que as próprias crianças têm índoles tão distintas. No entanto, pode até ser que nascemos uns bons, outros maus, o problema é que a bendita da sociedade, de fato, faz de tudo pra mudar a gente. Se somos maus, precisamos ser piores! E se somos honestos, não há saída se não enquadrar-se para sobreviver.
A ÚNICA coisa que me conforta é não duvidar de pequenos grandes princípios que regem a minha vida desde antes de aprender toda essa retórica babaca para a qual eu vivo me escravizando. Valores, esses, sem os quais eu estaria tão perdida que nem confusão haveria mais, apenas essa diversão fútil à qual todos nós jovens, de todas as idades, somos tentados a nos entregar.
Só sei que dedos alheios apontados para a minha capa poderão jogar-me desde pedras até rosas. O importante é lembrar que há prata disfarçada de rocha e pequenos espinhos nas flores.
Se me fosse ordenado que eu me tornasse algum animal, eu seria um burro. Que caminha incansavelmente com aquele tapão de olhos na cara. Nada eu veria a não ser a reta frontal de cada missão. Teria a paz impregnada de um monge em minha natureza, portanto nem quem montasse em meu lombo seria fruto de meu rancor. Tudo que valeria à minha existência seria um pouco de água, determinação e a ignorância no exterior de todas as aparências. Toda a essência que eu guardasse em minha carga faria de mim um mercador de tesouros. A diferença seria que eu apenas doaria meu cansaço em prol de alguma dádiva pré-destinada por alguém mais Alto, independente das esporas que me ferissem.
Até que um dia tornar-me-ia cavaleiro num campo repleto de cavaleiros. Trocaríamos ouros por outros burros, para que tivessem vida menos árdua que um dia eu tive sendo o mesmo.
As minhas mazelas eu vomito para fertilizar minhas certezas.
E fim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tchau, Página.

"Jesus! Just give me some happiness!"_she thought.
E ela pensava e pedia com tanto desespero, que qualquer vento mais brando soava como um anjo na tentativa de interceder por alguma vitória.
O difícil é fazer-se alegre, quando tudo parece tão errado.
"No entanto se permanecer imóvel é tão incerto quanto andar, ao menos andemos e vejamos onde nossas estrelas levarão nossos devaneios..."_tentava convencer-se atenta à escuridão e à suposta luz no final da mesma.
Eu fico aqui me pré-ocupando com a estética das orações e com o segredo das missões, enquanto talvez nada disso importe!
Todo mundo me manda ser feliz e eu sempre respondo dizendo que tá tudo errado. Logo, qualquer passo seria tropeço e qualquer gargalhada seria desumana.
Ei! Se o propósito do tombo fosse a parada e o silêncio, viveríamos num mundo sem música, sem arte, menos poluído, porém mais morto.
Conseguir fazer festa num mundo em guerra não é pra qualquer um. É por isso que não julgo quem bebe, ou quem dança. Só esquivo-me de quem agride, ainda assim, por falha minha de saber como lidar, não do sujeito que não sente a falta que comete.
Seria bom mesmo um cuspe bem dado nessa culpa ingrata que olha pra mim e não enxerga minhas intenções! Gostoso, depravado mesmo seria pisar na melancolia e debochar de todo o mal que ela me fez. O ideal, entretanto, seria não precisar de palavras amaldiçoadas para ferir o que me machuca.
Sinceramente, se rezo agora, coloco toda a minha auto-estima de lado e oro por lágrimas roladas, por soluços futuros. Peço que ambos até venham, mas que ao menos conduzam-me a algum encontro pelo qual venho sonhando.
E, sim, sei que sobre mundo este cheio de meninas e corações partidos, maior parte vê-se desiludida, olhando através de janelas, muitas vezes imaginárias. Elas pedem por príncipes e suas flores, por filhos e todos aqueles doces. Pedem vidas desejadas por tantos, tais como gente evoluída, assim como gente animalizada, ou apenas como eu.
Embora eu transpareça anseios pelo novo e pelo livre! Embora todas aquelas rodas velozes e suas paisagens encantem todos os olhos com os quais permito-me sorrir, nada do que desejo ultrapassa a bondade de um céu estrelado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

and nothing else matters..'



I was goin' where I shouldn't go
seein' who I shouldn't see
doin' what I shouldn't do
and bein' who I shouldn't be

I never meant to hurt no one
I just had to have my way
if there is such a thing as too much fun
this must be the price you pay

you never see it comin' till it's gone
it all happens for a reason
even when it's wrong
especially when it's wrong

funny how fallin' feels like flyin'
for a little while.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Papai.

"Tô suicida hoje."_disse a psicopata à revolução.

"O que te assola, mulher? As sombras do vale, as profundezas da escuridão ou o apagão na caixa de luz?"_retrucou o rapaz vistoso, envolto por bandeiras ferozes.

E a moça: "Nem vem, metade-deus, quarta-parte sujeito e restinho de idéias. Não é o espaço fosco a fonte de meu vazio, tampouco a cavidade do solo. A caixa de luz, sim, assusta um pouco, já que é provido pelo acaso e ainda explode quando decide render-se ao lúgubre. Ainda assim, somos fruto de puro acaso, então querer morrer para não conformar-se, apenas daria-me mais anseio de vida para lutar contra quem aceita."

"Ora, então pra quê tanto drama? Ao quê entregas tanta depressão devota?"_bradou, incompreensivo!

"Percebas as minhas narinas. Vermelhas e alarmadas, pois chorei, embora se retraiam, como se fossem esconder-se de outrém; Meus cabelos agarram minha nuca se suo por meus nervos, mas se exalo perfumes alegres numa pós magia qualquer dessa da vida, meus fios voam, passam a ter, por natureza, vontade própria e asas em camadas solares;
Agora veja a minha alma: em seus olhos, exaurem teatro, tristeza ferrenha! Meus olhos, nos seus, não são felizes, mas medrosos e saudosistas. Todavia, espírito meu tem voz suicida, com significado de renascença, um tentar em frenesi constante, presa e caçador brigando por um resquício de vocação. Sabe o que nos difere, homem?"_pergunta a jovem.

"Sua vida mórbida da minha revolta contra a lucidez."
"Não.."
"Eu quis dizer: seu pé atrás, sua mão no muro do meu pulo sempre dado, então!"
"Não.."
"Pois bem, diga-me, confusão personificada."_cede o rebelde convicto.

"Apesar de não-vazios; embora eu aprenda com teu peito e tu te toques com insanidades minhas de certa boa índole; comportamos linguagens distintas demais. Não nos cabemos, como também não nos faltamos. Revolução tua é gene meu por carma e entender meu renascer inconstante é tua sina. Não é atoa que tens Phoenix no lugar de um coração e eu envolva-me com panos que, na verdade, justifico por 'liberdade'."

"Então não queres morrer, menina? Reconheces tanta hesitação em vida tão nova?"
"Não só admito meus freios: agradeço seus rótulos. Porque os SEUS me vêm e me vêem como dádiva. Inclusive descobri em tropeços o que nos preenche por essência comum._revela a menina-pena. Até que sorriem em coro e em concomitância angelical:

"Amor!"

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011



Que dogmas culturais não afetem nosso bom senso de espírito.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

valor.

Eu poderia escrever canções,
mas me falta o dom da melodia
e da memória.
Teorias calculáveis acenariam ao meu vôo,
mas minha resposta seria em letras
Queria mais!
Riffs de guitarra, o escambo de alguma voz de
anjo..

Construindo o som, tornaríamos a palavra algo decifrável
caso ouvidos poetas alcançassem-na e quisessem, de fato,
desvendá-la
Porque mágica tem
quem busca.
E apenas caça quem tem um pé no medo de excitar-se
e o outro tentando perseguir as próprias asas.

Enquanto calço minhas botas,
ocupo todos os meus sentidos
pra não perder a sensatez.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Always be strong, kid..



Prefiro um lar pequeno de tijolos amarelos e escolho um sofá bonina em detrimento das almofadas de couro que resfriam tantas paredes abonadas por aí..
'Aconchego' pode não ter a voz mais estridente que 'status', porém sussurra com carinho e convence com boa intenção.

Sim, não tenho dúvidas de que quero romance, céu com estrela e neblina colorida, chocolate desculpado e poesia na cama. É que, sabe? Quando só vês isso nos filmes, nos livros e pensar que, ao menos nesta vida, tudo está perdido é inevitável..? O engraçado é que, literalmente, eu tô sorrindo.
Me emociono com a textura desse creme, com o cheirinho de morango e cenas tão bonitas.. Talvez eu esteja sublimando minhas vontades, já que não necessariamente eu sofra pela ausência do amor que sinto ou da paixão que vejo.

Bom mesmo seriam flores múltiplas em jardins iluminados, coisa limpinha com jeitinho de mãe, sem abrir mão da loucura ingênua de todos esses nossos ídolos..
Eu vestiria coletes cheios de bolsos e de doces eles seriam repletos se as crianças que passassem merecessem recompensas por lições aprendidas em tantas aulas conquistadas.
E que o mundo seja o meio e o destino! A princípio. ;] Pois moradas encontram-se em corações livres e por mais paradoxo que haja, são verdadeiros palácios de fascínio.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

pra quem nunca..



Inclusive o que faço sozinha, por mim mesma e comigo me incomoda, me confunde, me faz querer pensar como se eu me extinguisse do que me preenche. Até o que penso se transforma em rede, ninhozinho de algodão, menos macio do que o deveria por natureza! E natural mesmo seria o que assopra em meus miolos quando me deito, fecho os olhos e expando minhas asas, vulgo, ouvidos.
Aí, amigo, engrandeço como se dopada de todas as doses morfínicas, alucinógenas e sãs! Por incrível que pareça é aí que me vejo como gostaríamos, em templo de anjos, mesclando essência boa de todos.

No momento em que o momento falar por si, talvez esqueçamos o que nos apodrece e escrevamos canções, cujas letras, pouco importam, já que apenas nossas vozes construirão nossas intenções. Claro, sempre sublimes.
O que digo, em moderação de sentir prolixo, é que nada mais provocaria monstros se agir nosso fosse NOSSO, sem segundas influências ou sussurros de fantasmas.

Eu viajaria por meus ídolos sem receios do peso da obsessão; se suas poesias me remetessem ao ar, e ao fogo como elementos carinhosos.
Eu compraria lenços lindos sem temores capitais; se as suas cores iluminassem nossas imaginações;
Faria pontes aéreas, em leitos desconfortáveis; caso voltar pra casa fosse a certeza do lar cochichando meiga sob peitos nossos;
Eu beijaria mesmo ou afagaria em meu colo; se tudo fosse puro como nossas mãos após banho perfumado, caso me visse nos seus olhos e encontrasse travesseiros no teu corpo;
Cantaria, abandonaria até mesmo o que me permite gritar; caso os ruídos fontes de minha bênção ecoassem em minha alma por toda a eternidade musical que merecemos;

Tudo eu justificaria e nada mais aumentaria forças minhas; se e somente se, houvesse amor sincero naquela pegada meio disforme que deixamos na areia, quando caminhamos apaixonados pelas praias das encruzilhadas. Sentimos dor, vontade, mas a imensidão está acima do desespero.
Basta menos de uma estrela para concretizar a crença: nem esticar os braços precisas, se souberes o caminho do teu próprio peito.