Estava eu, degustando, passando a felicidade dentro da boca por entre rodopios de minha língua. Provava, até cantava, desafiando a gravidade, sem medo de que ela caísse através da proteção na muralha dos meus dentes. Seu gosto durou eternidades lindas, fazíamos de tudo, ela só pedia que eu não a mordesse.
A questão é, quando levas um susto, é possível controlar suas reações? Convites me foram feitos, oportunidades de um lado, renúncias, obviamente de outro, visto que são moedas únicas.
De sopetão passei a ver minha imagem como uma criança louca tentando agarrar todos os brinquedos da loja com mãozinhas tão pequenas. Naquela força toda almejando diversão e vida, o tempo passou rápido e percebi que até na sandice, não havia mais criança no reflexo do espelho. Meus bracinhos até cresceram, se desenharam com as linhas do tempo, todavia murcharam e empalideceram, assim que viram que não mais brinquedos satisfariam o seu suporte.
Envelhecemos com um certo tipo de sonho, que nunca morre. Objetivos e instrumentos mudam, a bendita essencial desse tipo de anseio, não.
Mordi a felicidade.
Entendi, logo, que a metáfora do dia é compará-la a uma flor. Que enche os olhos e amarga o paladar se atreveres a mordê-la.
Entendi, de brinde, que apenas os tolos estão satisfeitos.
Talvez, insatisfeitos e felizes ganhemos resultados bons de tanta reflexão, se é que eles existem.
Morreremos na dúvida, embora guardemos a verdade, assim como nascemos animais sob peles tão frescas.
Dádivas e maldições nos são enviadas sem rótulos, portanto esteja certo de que é possível que peques pela confusão de definição das mesmas. Isso, claro, se permitir que sua cabeça lhe guie. É, calcular é viável aos estatísticos que, ainda assim, não buscam um rumo, mas números que consertem as falhas sociais do caminho.
Se renegas dons, abres caminho a tropeços ingratos e por menos rumo que tenhas, há chances de que perca o pouco que conquistastes.
Ao léu estamos sob folhas secas de árvores laranjas. Brincar com suas securas ou pisá-las com raiva são algumas das opções.
Hoje? Aceito o fato de que, por mais que eu chore, verdade seja dita: não SOMOS se não FAZEMOS. Aguente quem puder, porque Misericórdia há para todos.
Plenitude, não..
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