sexta-feira, 4 de março de 2011

_take this time and..



Alguma alegria seria bom
No retorno triunfal à poesia,
todo o atraso perderia seu reflexo:
nem sombra, tampouco cinza;
o 'adiante e sempre' moveria montanhas!
E rios claros,
e folhas repletas de gotinhas geladas,
e ainda todos aqueles sabores e fotos
que preencheriam propósitos lindos em álbuns caseiros,
construídos aos ombros da natureza.
A eternidade falaria tão alto, que qualquer grito
além do mal
riria da crueldade dos homens que,
arrependida, redimiria-se à vida
e sorriria conosco.
Sobrevoando um futuro de glória, estamos.
Cabe a nós abrigar as bênçãos das paisagens.
A inocência, no entanto, com medo de ser quebrada, esquece que é feita de ferro.
Ferro branco coberto de plumas,
sósia de anjos decaídos.
Certos sopros tentam despí-la, chamam tornados "amigos",
conferem a fúria dos ares e
nada.
Desconhecendo seu poder e sua força, a Inocência se esconde e chora de cócoras em toda arte que a emociona.
Até que, um dia, ela encontra outra Inocência,
voando feliz e distribuindo beijos a fadinhas menores
e percebe que ela voa sem cair,
ri
sem culpa.
Como se não bastasse, a tal miragem lhe estende as plumas intactas e lhe sussurra com frescor:
"Mesmo com todo esse tempo em que compreendes nossas sinas,
eu te espero
no mundo.
Com uma pequena lição de cada vez.
Nem todo alto é abismo certo:
dependendo de quem pula,
a cinética reverte-se em felicidade."

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