
A sensação boa do dever cumprido é usufruir de qualquer toalha para enxugar o suor, já que, por mérito, houve suor afinal.
Diriges sob Sol escaldante e tudo que tens em mente é a sombra que nunca chega e a música que te distrái. Ficas, portanto, entre a vontade de estacionar e o fôlego do som que te move.
No caminho vês gente sorrindo, sonos profundos, alucinações reais de um mundo do qual tentas despedir-se. Estamos em contagem regressiva, todos. Porém é na sua intimidade que depositas crescimento.
Até que o dia chega e, "coincidentemente", a gasolina finda-se em concomitância cósmica ao destino que esperavas. Todas as horas da viagem, logo, passam de valoração cansada ao mais pesado dos potes de ouro. Ficas tão feliz que pouco importa se o baú de tesouro encontrado comporta diamantes ou doces raros. O que querias era apenas a sombra, lembra? E alguma melodia que o fizesse respirar sem culpa.
Talvez alguém normal, em sã consciência aterrissada, abrisse a raridade ao pé da árvore e arrastaria Céus e Terra em busca de algum combustível que o conduzisse ao luxo.
Assumo, no entanto, aquele tipo aéreo, um autismo bem intencionado tradutor do desapego.
Olhei para o destino então, pisquei para o horizonte e usei meu baú com o mistério de uma criança. Enterrei-o tal como em filmes de pirata e saí pulando pelos campos de uma estrada sem carro. O princípio machucado que me tornava à margem, marginalizada, pobre moça, desfez-se em beijos ao vento e em cada árvore, agora, deparo-me com uma DESculpa para ser feliz.

2 comentários:
Você também escreve poemas?
Se sim, por favor, poste um.
Seu estilo é muito legal mesmo [2].
¬¬
Aí pra trás tem vários, Guilherme.
E mto obrigada novamente. rs
*:
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