
Até que caminhando por entre
símbolos de status,
peças de um ideal globalizado,
percebes que és capaz de sentir desde vontade
à náusea.
De todas as vitrines que mais se dizem tentadoras,
de todos os preços menos viáveis
enlouquecidos por alguém frio e rico,
olhas para o preto das tendências e fica
nítido
o vazio de tudo isso.
O que mais faz sentido, na verdade é o cantor mal vestido
que te fascina na calçada
ou o garçom alegre tal como se estivesse embriagado,
enfim, todo mundo que já perdeu o nexo
nos olhos do resto do mundo vizinho,
carrega, em seus olhos,
a perspectiva pela qual vale a pena viver.
Tentando chutar os frutos dos males,
sem que suas raízes sejam de sua conta,
passas, daí,
a curtir o interno artístico de valor de ouro
que talvez só substitua tanta matéria
depois que aprenderes a ensinar algo.
E quando alguém quiser aprender, de fato,
as camisas rasgadas
ou os tênis de astronautas
as baranguices de nossas festas fantasiadas em todas as nossas mentes
serão exaltados e cuspidos, em seguida. Aplausos!
Pois já não seríamos mais marionetes,
mas apenas bonecos de pouco pano
e muita vida nas mãos.

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