
O que nos impede de poupar um pouco os próprios ouvidos, desligar-se mais das angústias passadas, transformá-las em pretérito bonito, bom de lembrar e tranquilo de esquecer?
Quem nos inspira a cantar, escrever, dançar ou sorrir sem grandes motivos ou feitos históricos?
As emoções que sentimos, a forma como lidamos com todas as sensações primitivas. Nosso instinto pode se sentir tentado a nos escarnecer, como também é capaz de mostrar-nos falhas nossas tão bobas que, se mutáveis, elevariam vida nossa a grau incrivelmente suspenso de plenitude e paz de espírito.
O saudável seria praticar auto-controle de modo que a alegria pura nunca se fosse, sempre pairasse sobre nossas cabeças, por debaixo de nossos tetos, entrelaçasse nossas mãos e pontos de vista.
Absolutamente nada te impede de acordar um pouco mais cedo, orar pro Céu, independentemente de seu azul estar meio escondido ou vibrante, quente; lavar o rosto e se permitir graça de alguns fios a mais nas sobrancelhas ou de uma espinha ingrata que invadiu sua testa.
Cabe a cada um exteriorizar serenidade conquistada por dentro em primazia, em atos saudáveis ao corpo e ao intelecto.
Talvez se comêssemos melhor, prolongássemos momentos de preparação dos nossos alimentos, hidratação, higiene, assim como de nossas leituras, sejam as referenciais ou as poéticas; de repente entenderíamos a delicadeza de cada instante da vida que nos faz crescer e perder o temor.
Não somos apenas o que adquirimos em bens a longo prazo ou os casos apaixonados que vivemos sem muito sucesso ao longo dos meses. Somos constituição subjetiva e diária, que pressupõe cuidado e amor-próprio.
Benditos sejam as frutas na mesa, os biscoitos na dispensa, os livros em nossas estantes, os números amigos na agenda e os travesseiros cheirosos de nossas camas. A pequenez nos aumenta.