Eu queria conseguir te olhar nos olhos um dia e te contar da vontade que eu sinto por seus braços. Eu não preciso de nada mais que o toque vagaroso e firme da sua pele rosa. Nem todo o sexo do mundo substituiria a lágrima que escondo do meu rosto quando você me abraça. Tira a blusa e fica parado, olha pra mim e sorri: eis o retrato da melhor parte da minha juventude. Eu não preciso de êxtases ou de grandes declarações, se por acaso um dia eu sentir a verdade da sua reciprocidade. Queira Deus que sejas tão feliz quanto os sonhos que tenho contigo. Antes fosses mal caráter, uma má influência, mas o pior disso tudo é que reconheço tanta virtude em ti, que eu não me permitira culpá-lo por suas fugas. Ainda que eu treine em pensamento, por mais que eu tente me preparar para o grande dia em que a gente se encontrar, você sempre me surpreende primeiro e surge do completo nada. De Pantera então, transporto minha vida a uma espaçonave sem órbita ao som de Aerosmith. Imagino como ia minha vida sem ti e observo a minha perdição conformada, repleta de valores e rotinas saudáveis. Basta que me venhas notificando sua existência “esquecida” para que tudo vire tontura de novo. E mesmo assim quando eu vejo o estrago, me vêm você todo macio, alvo e sereno, querendo sabe-se Deus o quê. Aí... Longos suspiros. Como eu fico? O que não presta tenta tomar meu corpo, então, e me vejo querendo beber, correr pelada, chorar até que um abismo me ache e esqueço do futuro o qual eu tanto planejava. São tantos pesares! O maior deles é pensar que te suportaria, te ajudaria, te comeria, te amaria a minha vida inteira. E se isso não for possível, continuo te desejando bênçãos que nem a mim anseio, por falta de merecimento. Se por um lado te quero bem longe, sendo sinceramente muito feliz, deixando que eu conheça meu príncipe calmo, charmoso e apaixonado; por outro, só vejo seus olhos. Há quem diga “Amor.” Há quem diga “Otária.” Há quem diga “Paciência...” Essa sou eu no espelho, cujo reflexo enxuga minhas lágrimas de menina, enquanto estapeio meu peito. Drama é pouco, o combustível de nossas histórias é tão salgado quanto nosso choro.
Eu queria te transformar num conto bonito, espalhar você pelo mundo, para que todos entendessem a sensação linda que é tocar você e, de certa forma, te amar. Depois de transformar-te em vento, eu saberia que voarias feliz por aí e toda vez que o ar se animasse eu lembraria de ti. Com paz no coração, pela lembrança divina que construí em vida. Livres e sós, perseguiríamos nossos destinos de luz. Caminhando e esquecendo sua agonia, sua textura e sua angústia, eu aprenderia a conviver com o seu cheiro sussurrando censuras nos meus cabelos e, de repente, você, em sua natureza de vento, perder-se-ia por todos os ares, amigo e terno. Aliviada e tranquila, alguém despontaria do outro lado da ponte e conversaríamos sobre os ventos que deixamos para trás. Dalí sim, nasceria um amor sem traumas e desenharíamos tudo juntos, com as dádivas escritas do tempo.
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