sexta-feira, 4 de março de 2011

skillful.



Às vezes o receio me surpreende calado por meus passos em círculos ou pela repetição da solidão da qual me queixo. Todavia, o que seríamos se não crianças perdidas em encrencas distintas, cometidas pela ausência aparente de nossos protetores para impedir-nos. Direcionamo-nos, portanto, com a educação mais afável aos nossos olhos e choramos, apenas, pelo abraços que não conquistamos durante mais tempo.
Chega o momento em que retiro a pluralidade da primeira pessoa, para que fique clara a bagunça da conduta que me guia, em maior parte, muito diferente do restante desse jardim de infância em que vivemos. Cresço, assim, em conformidade com o que os aprendizados escancaram diante do mundo e, quanto mais erro, mais me refugio na brancura dos meus sonhos para resistir, não só às tentações, como também aos vilões confessos de toda a história.
O dilema confunde, em ápice, quando o prazer perde a sua máscara pesada no rio. A máscara, linda e sedutora segue boiando, em graus de velocidade inconstantes. Vê-se a tal sumindo, voltando e, ainda que ela se perca no mar, seu fascínio misterioso dificilmente sái do pensamento. Quando sái, o que percebe-se é o prazer desmascarado, ali, na margem do rio. Cru, estranho à coitada natureza humana, meio abandonado. Sem a beleza de seu rosto pintado perdido nas águas, o prazer bruto permanece quietinho torcendo para que o vento leve o cheiro das flores ao redor próximo ao seu olfato e desejando graciosamente o toque de algum menininho brincando no bosque.
Porém, dotado, agora, apenas de encanto relativo, a verdade é que o prazer, seja ele gustativo, sexual, preguiçoso ou visual, depende da força e da vontade de quem o encontra para existir sem torpeza. O que significa que tudo pode ser motivo de vício. O cosmos é tão grandioso e detalhado que, em todos os seus 5 e sextos sentidos podes encontrar prazeres e, logo, ser tentado em variações mil de partes tuas que nem sabes que há.
O desafio? Para quem a graça não acaricia em essência instantânea, pintar o prazer primeiro por demasiado pesaria sua face de tal forma que, perder-se-ia no rio a máscara uma vez sobreposta por ti. Tu? Terias o resto de seus sempre jovens dias buscando por algo que sequer sabias o propósito e lamentarias a beleza obsessiva que criara em certo tempo ocioso.
Por outro lado, o sujeito bitolado na palidez do prazer que encontrara à margem, cairia em desgraça pelo medo de pintar tudo que tinha e perder tão pouco. Ele viveria com pouco, ainda assim com medo de perde-lo.
Feliz? Seria aquele que, pulando por entre árvores meigas e arbustos macios como algodão, encontrasse o prazer. Ponto. Dalí, provaria teu gosto sem afoiteza ou aflição; observaria seu rosto de nada e desenharia o que mais importasse em vida ao mesmo. O prazer continuaria leve, com valor honroso, beleza inspirada e gosto de mel. Seria deleitado sim, acrescentado, o Feliz daria pernas ao mesmo, para que as suas continuassem livres. Até que o novo prazer seria outro sujeito e resgataria os demais prazeres perdidos por aí.
A tentação não é mais relativa quando entendes ‘por quê’ tentar evitá-la.
Se há algo que não presta dentro de ti, jogue-o ao rio. Existe um poeta que repousa na margem de todas as tuas sensações. Exalte-o com o coração; entregue-o teu pincel.

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