sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011



There is no force on Earth
more powerful thant the will to LIVE.'
De que adiantaria intrometer-me na multidão? Ninguém entenderia minhas lágrimas mesmo. Possivelmente comparar-me-iam ao drama ou à indiferença.. O que seria radical ao alheio seria a minha constância. Vendo que tudo me emociona, eu seria fraca; vendo que nenhuma matéria me fascina o bastante, eu não teria sanidade. Se eu tocasse numa maçã e a brindasse com alguma mulher de rua, a caridade passaria desapercebida, já que, em minhas mãos, as unhas estariam mal feitas. Por um lado é bom que não notem nossas benevolências: sendo a bondade, voluntária, que apenas Deus veja e sorria. Por outro, é triste que deturpem tanto nossos propósitos. Significados eu carregaria pela cidade, pelos recintos, através dos anos. Ainda assim tentariam me corromper, me influenciar ou me denegrir. E mesmo os simpáticos continuariam sendo simpáticos até mesmo nesses meus olhos tortos. Porém nem eles compreenderiam meus temas ou o meu silêncio. Então... Pra quê? Todo dia que passa, caminha, corre, toda Lua que brinca com a fantasia da gente, em cada um deles torna-se gradativa e certa a liberdade de nossos arbítrios. Temos famílias pré-destinadas e poucos fatores de teor imutável. Todo o resto é tão facultativo que sentir-se torturado por erros próprios é compreensível. Se existe pecado na solidão, há, também, temor em apreciá-la. Entretanto, se aprender a amar desconhecidos, cultivando o próximo sem laços estreitos; caso haja algum resquício de respeito humano ao preservar nossa intimidade primeira; se o privativo reconhece a honra do coletivo, mesmo não sentindo-se parte do mesmo; se tudo isso tiver aval e bênção, talvez eu ainda tenha chance sendo tão ninguém.

guts.



Às vezes eu acho que Deus me criou exatamente, em forma e condições perfeitas para que eu fosse feliz. É como se cada intervenção que eu fizesse me diminuísse, tirasse, de mim, a felicidade original a mim prometida.
Mamãe me falou hoje que pessoas nascem com dons pela dignidade de suas almas, mesmo que seu comportamento diante da vida e das pessoas seja duvidoso. Isso aconteceria porque o mundo corrompe a gente e nada mais insuportável que abandonar a paz cristã do mundo do qual viemos, em busca de certa inserção. Daí, tudo apegável seriam os nossos talentos, visto que representariam todas as bênçãos pelas quais lutamos por merecimento em todas essas vidas.
Fraqueza é uma palavra irritante, já que livros, filmes e anjos nos mostram a facilidade e leveza do contrário. Basta uma manhã bonita e pensamentos altivos para pensarmos que sim, também podemos ser fortes. Até que saímos de casa...
Lidamos com gente auto-piedosa, percebemos gente corrupta, desonesta, vomitamos ao passarmos por gente cínica. Enfim, saímos do lar e vemos gente sobrevivendo. Pessoas que, não necessariamente por mal, nos "ensinam" a não deixar que nos passem pra trás ou a caçar com as "melhores" armas. Alguma coisinha brilhante dentro de peito nosso, diz pra gente que algo está errado, no pesar da ínfima diversidade da intenção através da qual tentam nos influenciar. Quando damo-nos conta, no entanto, já cometemos erros.
A angústia, logo, torna-se maior do que a incerteza do princípio e crês piamente que ficar parado ou quieto é estupidamente melhor que escutar os impulsos alheios.
"E onde fica a aventura? O que aconteceu com a magia da fração do momento?"_pergunta a parte selvagem do espírito.
"Maior do que a energia moral que desbrava tudo ao redor, é a coragem em permanecer na trilha. Muito provavelmente não morrerás com troféus ou grandes títulos em seu nome, porém teu lar será construído por medalhas de honra ao mérito e toda grande dádiva que encontrar-te no caminho terá vindo direto do Reino dos Céus."_responde a sabedoria.
Há quem diga que o arrependimento é frágil e só deve ser sentido, caso não tenhas tentado. Eu me arrependo de toda ferida que alguma palavra que eu disse tenha resultado, eu me arrependo ferozmente de todo local sombrio que pisei. Porque, ainda que na inocência da descoberta, muito do que vivemos, vivemos mais por curiosidade do que por precisão. E, podendo voltar atrás, nada mais eu faria do que usar a palavra como mensagem amável e aproveitar meus passos em recintos de luz.
Na dúvida, reze. Instintos são tão confiáveis quanto a preguiça, que dorme, sonha, mas não te deixa caminhar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pleasure is on the other side.

Ando livre e sorrio para o céu, mas talvez os filmes sejam só filmes e, em vida, almas gêmeas sejam para poucos, assim como a liberdade não presenteie qualquer um.
Não sei em que categoria Deus me classificou, até mesmo porque posso não ter vivenciado nem metade de tudo que me foi proposto. Digo que, talvez, de repente, quem sabe, eu encontre meu número escondido ou lendo de cócoras em alguma árvore gostosa.
Posso, também, apenas dar de cara com as minhas asas ao longo de algum rio cristalino, daí não seriam necessárias todas aquelas lágrimas derramadas em cenas de amor.
Afinal, minha classe definiria-me feliz por natureza, feliz sem nada mais, feliz com pouca esperança de um Além romântico. Pouca, porém jamais finita.
Somos luz encarcerada em corpos ingratos, belos, pequenos, fracos ou fortes. Toda matéria que nos constitui, desde a mitocôndria de nossas células até o abajur com o qual juntamos moeda para adquirir, bem, tudo isso acaba um dia. Somos ilusão do plano espiritual do qual viemos.
Nada mais justo que brincar com a nossa fé bonita e alimentá-la com toda a esperança de arte imaginada. Escrevamos significados por aí, façamos música com alguma criança chorosa: provoquemos risos honestos; compremos o bendito abajur pra alegrar manhãs efêmeras; leiamos livros rasgados; desde que o tudo e o nada tenham essência amável, incorruptível. Entender, portanto, a diversão no construir, fazer cócegas no medo e sensibilizá-lo por consequência, não o torna apegado à ilusão da vida. És, na verdade, um pescador dos próprios sonhos: talvez não alcances todas as bênçãos que gostarias, porém, despretensioso, bem humorado e tranquilo, não precisas mais do que algumas iscas para fisgar peixes-surpresa, (já que não avista-os antes que saiam da água.) Peixes que, muitas vezes, nem saciarão sua fome ou não poderão decorar aquários; muitas vezes, inclusive, pescas, sorris de sua própria ignorância e jogas o pobrezinho ao rio de novo. O interessante na pesca que fazes em toda sua conduta livre é o simples fato de que, ao menos, vais pescar.
Haja disposição. Haja paz.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

tell me how the pain supposed to go..'



Até que ponto nossas ideologias afetam nossas escolhas?
e vice-versa.
Porque até o ponto que sussurra "Relaxa!"
dorme e acorda suado, tentando entender o que aconteceu com aquele degrau antecessor da consciência. Há quem chame-o de sub-consciente, eu dirijo minha pessoa ao mesmo como intercessão. Sabe a Embaúba que fica em cima do muro entre a Mata Atlântica e o Cerrado? Assim têm sido meus sonhos em meio ao equilíbrio cansado que prezo e às angústias "salvadoras" que despertam-me ao chão.
Talvez no dia em que eu me lembrar que a terra também descansa os pés, apesar de sujá-los; que a água também refresca o pescoço, embora possa sufocar até a morte; ou que o vento também corta os pensamentos ruins, ainda que tenhas que fechar os olhos para não cortar a literalidade de sua visão. Bom, talvez nesse bendito dia eu viva em paz e morra em liberdade.

Noite passada eu dormi e deparei-me no colégio de novo. Todos os meus conhecidos, recentes ou nem tanto, encontravam-se no recinto, em bando! Ninguém me reconhecia. Na medida em que eu entrava em desespero meus supostos amigos em vida, zombavam da minha feiúra em pesadelo. Procurei um espelho e me dei conta de que não havia nada de errado comigo. Inclusive percebi doçura no meu rosto assustado. Enfim, dosei-me com certa confiança e bravura, e continuei buscando alguma alma amiga. Nada. Corri, não aguentei a acidez do momento e minhas lágrimas começaram a falar por mim. Foi a conta do primeiro soluço expressar minha aflição: parei. Tudo à minha volta não tinha mais importância, inimizades tornaram-se vultos, porque, à minha frente, cruzando a porta clara, surgiu meu pai. Todo de branco, um todo paradoxo devido à calma do seu semblante confundindo-me com sua postura altiva, quase heróica. Disparei em sua direção, em berros e tropeços, até que abracei-o como nunca tive a chance de fazer em vida. Nessa. Papai retribuiu o abraço e sem palavra alguma disse-me que pronto, não havia mais por quê eu sofrer tanto. Ele estaria sempre ali, quando eu mais precisasse. E quando eu não precisasse tanto, ele já não duvidava mais do meu amor.
Acordei chorando.
E eu,
mesmo forçando bondade em letras ou fazendo figa para que minhas intenções não vejam suas essências tentadas nunca,
ainda tenho feridas em espírito. Quanto mais elas se fecham,
mais vivos e belos serão meus sonhos.
Acreditar que somos o que fazemos, que pouco importam nossos pensamentos; isto é, crer que não existe maldade em teoria, apenas em tiros ou agressões materializadas seria, provavelmente, a propaganda do pesadelo na caça por algumas vítimas.
Cuida do que lês, do que assistes e, sim, do que pensas! Visto que tudo que ainda não conheces será erguido por todas as suas verdades secretas.
Dormirei tranquila.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"I don't want anything."



Preferiria mesmo o anonimato, não cobrar-me que eu sinta tudo isso, pouca gente ao meu redor, sorrisos solitários. Desde que até o nada fosse puro e tudo que me restasse fosse a imensidão de uma cachoeira cristalina por desbravar.
Nem o mistério de sensações escusas motivariam qualquer passo ou excitariam alguma função.
A onda é a da preguiça alheia, sabe?! Sem nenhum orgulho em existir, no entanto.

Sorte que me come viva
e me cospe na crista da aflição,
por vezes também encontra meus restos na saliva
e devolve a magia da vontade.
É, nesse nível de asco.
Não desejo nada. E a verdade é essa.
Não preciso de nada. De toda essa matéria que corrompe a gente,
por todas as pegadas que confundem alucinando sentidos evoluídos,
não temo nem a sombra do passado, tampouco o vazio do presente.
Já que futuro não existe eu leio como se fosse imortal e assisto a Céus cintilantes ou foscos, como se um pássaro fosse surgir do Além para me contar histórias.

Conviver com o nada é difícil pra quem não sonha ou pro meu eu-lírico desesperado em madrugadas de ócio.
Inclusive o tédio é uma opção. Se escolhes vivê-lo admita seu sono.
O momento que sussurra me deu UMA trégua. E talvez eu não me confunda mais.

Até a caveira que um dia sobrepôs a pele
sorri e se lixa pro medo alheio
Muito susto que ela ocasiona
de repente surja apenas de um desejo comum pela salvação
ou por entretenimento.
A arte encontra êxito, portanto, no crânio estilizado por olhos que enxergam a ternura que um dia ele foi
ou o Metal com o qual inspirou vida.
Revivamos!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

touch.

Parar de fingir que eu me importo.
Digo, começar a negar lágrimas às energias que provocam meu drama.
Permitir alegria construída em pilares humanos. Torres de humildade facilmente escaláveis! Por trepadeiras e flores impregnadas em tijolos vivos!
Teríamos tudo ao mesmo tempo! Tesão e êxito, seguido de manhãs lindas e mãos dadas sem suor.
Querer demais madrugadas a fio e ainda assim não precisar de absolutamente nada!
O espaço e o tempo seriam mero fruto de imaginação doente, aflita de tanta vontade.
Enquanto pensas que render-se ao fogo é regressão, vem a água e te satisfaz com a mesma malícia. Ou seja, nada afasta o caos do prazer.
O que fazer, portanto? A lembrança te alerta o perigo e a doçura dos contos te atissa.
E nessas horas sentimos a auto-piedade por antecedermos amigos nossos querubins
e nessas horas Deus atropela nossos dilemas com a alegria pura que seria a simples hipótese de desfrutar a carne, o Céu, o sabor e a visão.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A memória da alma, o destino do intelecto.

VÁRIA - Acho você melhor quando fala sobre Astronomia. Fale um pouco.
LIUBA - Não. Vamos voltar ao assunto de ontem.
TROFÍMOV - O que é que era?
GAIÉV - O orgulho humano.
TROFÍMOV - É. Falamos muito e não chegamos a conclusão alguma. A senhora vê o orgulho como algo importante, místico. E, do seu ponto de vista, talvez tenha razão. Mas se olhamos a coisa simplesmente, sem floreios, que orgulho é esse? Que sentido tem? Fisiologicamente, o homem é mal construído; intelectualmente, é retardado; e, de modo geral, é grosseiro, brutal e profundamente infeliz. De que se ri a hiena? É preciso acabar com a auto-glorificação da espécie e... botar mãos á obra! Trabalhar. Que é o que interessa.
GAIÉV - Será? No fim todos morremos.
TROFÍMOV - Quem sabe? O que é que quer dizer morrer? Talvez o homem tenha 100 sentidos e quando morrem os 5 que nós conhecemos, 95 comecem a viver.
("O Jardim das Cerejeiras" - Tchékhov)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

so I left!



A sensação boa do dever cumprido é usufruir de qualquer toalha para enxugar o suor, já que, por mérito, houve suor afinal.

Diriges sob Sol escaldante e tudo que tens em mente é a sombra que nunca chega e a música que te distrái. Ficas, portanto, entre a vontade de estacionar e o fôlego do som que te move.

No caminho vês gente sorrindo, sonos profundos, alucinações reais de um mundo do qual tentas despedir-se. Estamos em contagem regressiva, todos. Porém é na sua intimidade que depositas crescimento.

Até que o dia chega e, "coincidentemente", a gasolina finda-se em concomitância cósmica ao destino que esperavas. Todas as horas da viagem, logo, passam de valoração cansada ao mais pesado dos potes de ouro. Ficas tão feliz que pouco importa se o baú de tesouro encontrado comporta diamantes ou doces raros. O que querias era apenas a sombra, lembra? E alguma melodia que o fizesse respirar sem culpa.

Talvez alguém normal, em sã consciência aterrissada, abrisse a raridade ao pé da árvore e arrastaria Céus e Terra em busca de algum combustível que o conduzisse ao luxo.
Assumo, no entanto, aquele tipo aéreo, um autismo bem intencionado tradutor do desapego.

Olhei para o destino então, pisquei para o horizonte e usei meu baú com o mistério de uma criança. Enterrei-o tal como em filmes de pirata e saí pulando pelos campos de uma estrada sem carro. O princípio machucado que me tornava à margem, marginalizada, pobre moça, desfez-se em beijos ao vento e em cada árvore, agora, deparo-me com uma DESculpa para ser feliz.

a kid on the run with fists full of dreams..

"Há pessoas que desejam saber só por saber e isso é curiosidade; outras, para alcançarem fama e isso é vaidade; outras, para enriquecerem com a sua ciência e isso é um negócio torpe: outras, para serem edificadas e isso é prudência; outras, para edificarem os outros e isso é cairdade."

domingo, 6 de fevereiro de 2011

NO MORE DRAMA.



I've been sewing wings on my back.
Like I'm living in Heaven!
Deserving happiness.

Somebody to love.

Que folha linda... Peguei este lápis com a intenção de retomar meus desenhos utópicos e reativar minha caixa bonita de lápis de cor. Cortei meu dedo hoje à tarde abrindo uma lata de atum e espremi uma espinha ingrata na pontinha do nariz. Bom, estou machucada e meio feia e quis me consolar na estética doce de tanta letra cursiva chorosa.

[Na página seguinte desenhei uma moça, supostamente eu, idealizada em formas e cores. Vesti-me em traje azul claro e permiti-me a companhia de um pássaro verde-marinho, uma borboleta coral e tulipas roxas. Nas minhas mãos estavam dois livros, um em cada. E meu semblante, assim como o avental cobria meu ventre, era simples e fascinante. Na figura, é como se eu fosse uma daquelas professorinhas do início do século XX na zona rural de algum país tranqüilo. O céu me abençoava com nuvens leves e a natureza sentia a minha presença.]

Penso em bibliotecas comunitárias, crianças regeneradas, literatura gostosa na ponta da língua e zonas de desespero transformadas em clínicas de paz. Penso em paredes pintadas sob tons celestes e em cada projeto escrito de tornar-se poesia vívida. Mas... O que poderia eu, uma quase mulher parte tão perdida, parte tão encontrada, fazer para sanar dores alheias possivelmente maiores que as minhas?
Eis o momento em que priorizo todo o suor do meu estudo, bem como o prazer em sua forma mais pura. Sabe, por vezes acho que é mais difícil do que parece, abrir mão de certos gozos juvenis, tais como o alívio de umas duas doses cítricas ou o carinho de um sexo apaixonado. O pesar, no entanto, que sempre me vem à tona quando vejo-me tentada, è a necessidade de uma suposta alma gêmea para realizar toda essa juventude.

Se me permite a observação, folha bonita, eu diria que preciso mesmo é de alguma doçura que recomponha a minha essência. Porque tem sido cada vez mais difícil negar-me regozijos e ainda perceber minhas mãos atadas para tratar de missões maiores.
Se eu pudesse trocar afagos com um namorado de fibra moral em evidência... Talvez seu espírito musical alegrasse mais a minha estrada e eu sentiria desejo, de fato, por essa vida simples que admiro.

[Na página final, ilustrada por um gatinho bege brincando com balões em formato de coração, dei-me conta da fragilidade de nossos peitos e dos descontroles acidentais aos quais damos brecha quando sentimos algum tipo de paixão. Enxerguei, portanto a facilidade em estourar essas bexigas. Em repente constante, tudo que almas sonham obtém gênese na família ou na força evoluída que o seu conceito exerce sobre nós. Desenhei uma mãe, um filho e um pai: todos sorrindo.]
Quem sabe um dia tenhamos a sorte de um amor tranqüilo. Sim, pilares compartilhados para todo nosso potencial em qualquer um desses mundos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Bare.

Quer saber de uma coisa? Foda-se o meu passado e todas as circunstâncias que me obrigaram a fugir da esquisita que eu sempre fui. Assumo-me aquela estranha taciturna, cujo maior busca era por ser a prosopopéia desse monstro que vêem como o politicamente correto. Nunca gostei dessa bagunça, nem dessa pesquisa tão infundada e cruel pela beleza, ou pela vaidade em exibir simbolismos vazios.
Depois que conheci a tristeza profunda e que entendi que a solidão seria a minha única opção, forcei demais a barra pra parecer algo ou simplesmente pra mostrar-me o oposto. A verdade é que eu não me importo mais com os olhos que enxergam a menina que fui sentada no canto ou hospedada na biblioteca mais próxima. Também quero que morram todas essas intenções pervertidas de gente podre que me julga pelo que deixo de vestir. Por mim eu usaria uma camisetinha da Mulher Maravilha e um par de botas azuis e mais nada! Quem passasse rindo ou babando ou condenando seria mero fruto das partes obscuras da minha própria imaginação, cuja tendência, aliás, seria um gradativo sumiço pacífico.
Passei uma pré-adolescência angustiada tentando enfeitar-me, assim como um final de infância perturbado com tanta sede de conhecimento. Já ta passando da hora de eu ser exata e simplesmente o que eu DESEJO ser.
Não gosto de autores nacionais, to cansada de me machucar com sutiãs duros, odeio salto alto, não suporto filme escroto falando de líder de torcida. Queria nunca ter conhecido essa merda de música sem letra ou sem melodia, que um dia eu já julguei razoável, por falta de personalidade. Eu to cansada de omitir tudo que eu odeio e de só falar de amor por causa de toda essa culpa irracional que eu carrego em ser humana.
Deus, um dia até peço que me tornes anjo e que eu consiga, de fato, amar todo tipo de arte e quaisquer meios de vida. Eu só não agüento mais medir cada passo em experiências que, sem querer, eu me permiti conhecer. Neste momento, tudo que eu mais queria era voltar no tempo em que me fiz moça e ligar um foda-se GIGANTE pra toda patricinha que zombava de mim e pra todo amor platônico que jamais me olharia se eu não tivesse abandonado aqueles óculos e todo aquele gel.
Mas sabe, eu enxergava bem melhor de óculos e o gel aquietava meu cabelo, que sempre me atrapalhava a estudar. Eu usava vestidos até os joelhos, e não me importava dessas canelas finas e dos meus pés machucados. Tudo que eu queria era ler o mundo! E eu lia. O amor da minha vida nunca me olhava com paixão ou com vontade de desvirginar minha boca, mas meus colegas e quem apenas sabia da minha existência me viam ou com respeito ou com deboche. Não havia meio termo. E a vida era mais honesta assim, mais clara.
Sinto muita vergonha de mim, de Deus, dos meus pais, por eu ter me deixado levar pela revolta com toda aquela minha invisibilidade. A minha moeda nunca foi a do bem/mal, e sim a da tranquilidade/caos. Ambos os meus lados nunca tiveram más intenções ou abrigos duvidosos, o problema era que meu caos me deixava sozinha num bosque parado e eu precisava me mexer por entre as árvores.
Tirei a roupa, comprei blush e uma máquina fotográfica e até mudei a cor dos meus olhos. Mas tudo que consegui foi lançar a minha moeda e uma sucessão de quedas para o lado da tranquilidade. Bonita, fora do caos, eu ficava sempre lúcida e envergonhada das medidas que eu tomei enquanto estava perdida na floresta. Ou seja, na busca por olhares amáveis, deparei-me toda manhã, com meu próprio olhar míope e castanho, perguntando a mim mesma qual era o problema em ser aquela nerdzinha humilde de coraçãozinho tão sensato e bom.
Nunca acreditei nessa história de “O Bom Selvagem’, em que nós todos nascemos exemplares e nos corrompemos com o mundo. Tudo balela, já que as próprias crianças têm índoles tão distintas. No entanto, pode até ser que nascemos uns bons, outros maus, o problema é que a bendita da sociedade, de fato, faz de tudo pra mudar a gente. Se somos maus, precisamos ser piores! E se somos honestos, não há saída se não enquadrar-se para sobreviver.
A ÚNICA coisa que me conforta é não duvidar de pequenos grandes princípios que regem a minha vida desde antes de aprender toda essa retórica babaca para a qual eu vivo me escravizando. Valores, esses, sem os quais eu estaria tão perdida que nem confusão haveria mais, apenas essa diversão fútil à qual todos nós jovens, de todas as idades, somos tentados a nos entregar.
Só sei que dedos alheios apontados para a minha capa poderão jogar-me desde pedras até rosas. O importante é lembrar que há prata disfarçada de rocha e pequenos espinhos nas flores.
Se me fosse ordenado que eu me tornasse algum animal, eu seria um burro. Que caminha incansavelmente com aquele tapão de olhos na cara. Nada eu veria a não ser a reta frontal de cada missão. Teria a paz impregnada de um monge em minha natureza, portanto nem quem montasse em meu lombo seria fruto de meu rancor. Tudo que valeria à minha existência seria um pouco de água, determinação e a ignorância no exterior de todas as aparências. Toda a essência que eu guardasse em minha carga faria de mim um mercador de tesouros. A diferença seria que eu apenas doaria meu cansaço em prol de alguma dádiva pré-destinada por alguém mais Alto, independente das esporas que me ferissem.
Até que um dia tornar-me-ia cavaleiro num campo repleto de cavaleiros. Trocaríamos ouros por outros burros, para que tivessem vida menos árdua que um dia eu tive sendo o mesmo.
As minhas mazelas eu vomito para fertilizar minhas certezas.
E fim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tchau, Página.

"Jesus! Just give me some happiness!"_she thought.
E ela pensava e pedia com tanto desespero, que qualquer vento mais brando soava como um anjo na tentativa de interceder por alguma vitória.
O difícil é fazer-se alegre, quando tudo parece tão errado.
"No entanto se permanecer imóvel é tão incerto quanto andar, ao menos andemos e vejamos onde nossas estrelas levarão nossos devaneios..."_tentava convencer-se atenta à escuridão e à suposta luz no final da mesma.
Eu fico aqui me pré-ocupando com a estética das orações e com o segredo das missões, enquanto talvez nada disso importe!
Todo mundo me manda ser feliz e eu sempre respondo dizendo que tá tudo errado. Logo, qualquer passo seria tropeço e qualquer gargalhada seria desumana.
Ei! Se o propósito do tombo fosse a parada e o silêncio, viveríamos num mundo sem música, sem arte, menos poluído, porém mais morto.
Conseguir fazer festa num mundo em guerra não é pra qualquer um. É por isso que não julgo quem bebe, ou quem dança. Só esquivo-me de quem agride, ainda assim, por falha minha de saber como lidar, não do sujeito que não sente a falta que comete.
Seria bom mesmo um cuspe bem dado nessa culpa ingrata que olha pra mim e não enxerga minhas intenções! Gostoso, depravado mesmo seria pisar na melancolia e debochar de todo o mal que ela me fez. O ideal, entretanto, seria não precisar de palavras amaldiçoadas para ferir o que me machuca.
Sinceramente, se rezo agora, coloco toda a minha auto-estima de lado e oro por lágrimas roladas, por soluços futuros. Peço que ambos até venham, mas que ao menos conduzam-me a algum encontro pelo qual venho sonhando.
E, sim, sei que sobre mundo este cheio de meninas e corações partidos, maior parte vê-se desiludida, olhando através de janelas, muitas vezes imaginárias. Elas pedem por príncipes e suas flores, por filhos e todos aqueles doces. Pedem vidas desejadas por tantos, tais como gente evoluída, assim como gente animalizada, ou apenas como eu.
Embora eu transpareça anseios pelo novo e pelo livre! Embora todas aquelas rodas velozes e suas paisagens encantem todos os olhos com os quais permito-me sorrir, nada do que desejo ultrapassa a bondade de um céu estrelado.