sábado, 19 de março de 2011

Cultivei uma árvore do caule à raiz. Ela definhou. Morreu. Mais espaço para a floresta.

Pesadelo, vai embora

se eu fecho os olhos
e te tenho vivo
prefiro abri-los
e sentir-lhe fora

chorar por ti
não mais aguento
é agonizar sorrindo,
alimentar tormento

os passados de erros,
peremptórios são:
minha recusa sem rumo
ditou minha condenação

ou condiciono o real
pensando em tudo
ou nego todo meu sono
tornando-te mudo

certamente quem diz
que a rejeição têm vez
controlando o pensamento
adotando a sensatez

nunca tropeçou de amores
atrasado no próprio conto
em que a luta apenas há
em conflito a violência do ponto

eis-nos reticentes
à pálbera justificando
ei-los decadentes
na esbórnia barbarizando

vidas no caminho
nos são postas
como se não existissem trilhas
além do relevo de suas costas

Dizem que temos escolhas
mas escolhem nossas sentenças
quando declaram guerra por nossos beijos
depois cavalgam em marcha rindo de tanta incoerência

cada verso se alonga em proporção à minha revolta
ainda que o chão seja finito e as flores estejam mortas
enxergo-me com as asas quebradas, deitada e sem escolta
esperando forças para que eu me resgate em nome das próximas portas

lanço sementes de um fruto podre
em terra féril a qual adubo com a mão
o que era plano se torna profundo
em raízes regadas de emoção

a esperança é que a palavra suma
mesmo que junto, a minha inspiração
o caos, eu desejo que durma
e liberte a minha sensação

finitas são as estrofes
no féu de uma poesia
fotossintética
e esguia.

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