se eu fecho os olhos
e te tenho vivo
prefiro abri-los
e sentir-lhe fora
chorar por ti
não mais aguento
é agonizar sorrindo,
alimentar tormento
os passados de erros,
peremptórios são:
minha recusa sem rumo
ditou minha condenação
ou condiciono o real
pensando em tudo
ou nego todo meu sono
tornando-te mudo
certamente quem diz
que a rejeição têm vez
controlando o pensamento
adotando a sensatez
nunca tropeçou de amores
atrasado no próprio conto
em que a luta apenas há
em conflito a violência do ponto
eis-nos reticentes
à pálbera justificando
ei-los decadentes
na esbórnia barbarizando
vidas no caminho
nos são postas
como se não existissem trilhas
além do relevo de suas costas
Dizem que temos escolhas
mas escolhem nossas sentenças
quando declaram guerra por nossos beijos
depois cavalgam em marcha rindo de tanta incoerência
cada verso se alonga em proporção à minha revolta
ainda que o chão seja finito e as flores estejam mortas
enxergo-me com as asas quebradas, deitada e sem escolta
esperando forças para que eu me resgate em nome das próximas portas
lanço sementes de um fruto podre
em terra féril a qual adubo com a mão
o que era plano se torna profundo
em raízes regadas de emoção
a esperança é que a palavra suma
mesmo que junto, a minha inspiração
o caos, eu desejo que durma
e liberte a minha sensação
finitas são as estrofes
no féu de uma poesia
fotossintética
e esguia.

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