LIUBA - Não. Vamos voltar ao assunto de ontem.
TROFÍMOV - O que é que era?
GAIÉV - O orgulho humano.
TROFÍMOV - É. Falamos muito e não chegamos a conclusão alguma. A senhora vê o orgulho como algo importante, místico. E, do seu ponto de vista, talvez tenha razão. Mas se olhamos a coisa simplesmente, sem floreios, que orgulho é esse? Que sentido tem? Fisiologicamente, o homem é mal construído; intelectualmente, é retardado; e, de modo geral, é grosseiro, brutal e profundamente infeliz. De que se ri a hiena? É preciso acabar com a auto-glorificação da espécie e... botar mãos á obra! Trabalhar. Que é o que interessa.
GAIÉV - Será? No fim todos morremos.
TROFÍMOV - Quem sabe? O que é que quer dizer morrer? Talvez o homem tenha 100 sentidos e quando morrem os 5 que nós conhecemos, 95 comecem a viver.
("O Jardim das Cerejeiras" - Tchékhov)

2 comentários:
Não sei porquê, mas me lembrou um poema de Paulo Leminski:
"Tudo é vago e muito vário
meu destino não tem siso...
O que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário
e nada disso é preciso. "
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