"Tô suicida hoje."_disse a psicopata à revolução.
"O que te assola, mulher? As sombras do vale, as profundezas da escuridão ou o apagão na caixa de luz?"_retrucou o rapaz vistoso, envolto por bandeiras ferozes.
E a moça: "Nem vem, metade-deus, quarta-parte sujeito e restinho de idéias. Não é o espaço fosco a fonte de meu vazio, tampouco a cavidade do solo. A caixa de luz, sim, assusta um pouco, já que é provido pelo acaso e ainda explode quando decide render-se ao lúgubre. Ainda assim, somos fruto de puro acaso, então querer morrer para não conformar-se, apenas daria-me mais anseio de vida para lutar contra quem aceita."
"Ora, então pra quê tanto drama? Ao quê entregas tanta depressão devota?"_bradou, incompreensivo!
"Percebas as minhas narinas. Vermelhas e alarmadas, pois chorei, embora se retraiam, como se fossem esconder-se de outrém; Meus cabelos agarram minha nuca se suo por meus nervos, mas se exalo perfumes alegres numa pós magia qualquer dessa da vida, meus fios voam, passam a ter, por natureza, vontade própria e asas em camadas solares;
Agora veja a minha alma: em seus olhos, exaurem teatro, tristeza ferrenha! Meus olhos, nos seus, não são felizes, mas medrosos e saudosistas. Todavia, espírito meu tem voz suicida, com significado de renascença, um tentar em frenesi constante, presa e caçador brigando por um resquício de vocação. Sabe o que nos difere, homem?"_pergunta a jovem.
"Sua vida mórbida da minha revolta contra a lucidez."
"Não.."
"Eu quis dizer: seu pé atrás, sua mão no muro do meu pulo sempre dado, então!"
"Não.."
"Pois bem, diga-me, confusão personificada."_cede o rebelde convicto.
"Apesar de não-vazios; embora eu aprenda com teu peito e tu te toques com insanidades minhas de certa boa índole; comportamos linguagens distintas demais. Não nos cabemos, como também não nos faltamos. Revolução tua é gene meu por carma e entender meu renascer inconstante é tua sina. Não é atoa que tens Phoenix no lugar de um coração e eu envolva-me com panos que, na verdade, justifico por 'liberdade'."
"Então não queres morrer, menina? Reconheces tanta hesitação em vida tão nova?"
"Não só admito meus freios: agradeço seus rótulos. Porque os SEUS me vêm e me vêem como dádiva. Inclusive descobri em tropeços o que nos preenche por essência comum._revela a menina-pena. Até que sorriem em coro e em concomitância angelical:
"Amor!"