
A verdade é que eu dependo da minha mãe para lavar a maioria das minhas roupas e do meu pai para beber quando dá vontade. Meus pais sustentam todo o meu estilo de vida, por mais incomum que ele seja. Meu padrasto paga indiretamente praticamente tudo que tenho, na minha casa, como 'meu'. Estudo por causa do meu pai e como tudo que quero graças à preocupação da mamãe.
O fato é que eu tenho bons pensamentos e sentimentos bonitos, sim. Mas talvez seja só o que eu realmente tenho. Nem encher a boca para contar minhas aventuras engajadas eu poderia com plenitude de conhecimento de causa, já que é tudo muito indireto na minha vida e nos meus atos.
Eu não faço nem a metade de tudo que eu gostaria. Não digo sonhos fúteis não, porque isso eu tento realizar ate inconscientemente todos os dias.
Aqueles atos heróicos que eu vejo nos filmes, a atmosfera do bem que me invade a todo fuckin instante, de fato me é inerente. Não me orgulho disso não, mas de fato eu luto comigo mesma com frequência para ser o mais superorgânica possível.
Acontece que eu não passo de uma menina muito menos forte que eu sempre imaginei, que sente muita falta de carinho, que sente culpa em ser tão feliz, que se confunde com tudo que as pessoas a minha volta me dizem, já que tento compreender os corações minuciosamente.
Eu não chego muito perto dos meus ídolos não...
Eu me sinto um pouquinho mais do que eu sou quando eu escrevo.
Mesmo sabendo que isso tudo aqui não resolve nada,
mesmo sabendo que palavras são muito muito menos que atos bons,
honra não se constrói com retórica não,
a retórica é, na verdade, a consequência da habilidade de amar incondicionalmente alguma causa.
A minha causa seria, de repente, metalinguisticamente, o próprio amor.
E só por isso as vezes eu falo bonitinho ou me rebusco em frases de efeito.
De certa forma isso me faz bem. E por outro lado me sinto mais inútil do que antes.
Se eu to em paz, é porque entendi, bicho. Entendi que eu sou uma estrelinha só num universo gigantesco. Deus me deu luz pra brilhar e mais um monte de outros astros pra admirar. Mas eu tenho limitações, como toda espécie de ser cósmico.
Então, sabe, não adianta se contorcer demais não.
Fazer a coisa certa sempre, pode parecer difícil. Mas tentar, ao menos, seguir um caminho bom, talvez já seja um começo escandalosamente iluminado.
E eu me abstenho na minha pequenez, Pequenez, essa, capaz de sonhar. Sonhos que, por sua vez, me fazem grande. E como tudo é uma orgia relativa, eu rio. Rio, canto e agradeço. DE TODO O MEU CORAÇÃO! =]