
Sentir o frio na ponta do nariz e escolher as frutas vendidas na calçada precedendo meu jantar. Acordar cedinho e ir ao campus de gorro e luvas, vivenciar metrôs e trens, conceder-me retorno triunfal a correios vermelhos espalhados pelas ruas. Lá eu comprarei selos e a saudade, todavia, será tão intensa, que escrever será sinônimo de verdade, mais do que nunca. Acima de tudo e apesar de 1ºs mundos baterem à minha porta, vou com a certeza de que cada folha de outono caída na terra ou que cada floco de neve fazendo cócegas nos meus lábios, remeterão, apenas, ao sempre-Sol deixado em casa e à doce maternidade que me concebeu orando por mim em meu lar.
Somos criados e introduzidos em culturas que em pesar de todo o erro, aprendemos a crescer amando. Sim, também aprendemos a amar, embora, por vezes, sintamos tanto afeto por outrém que sabemos, no raso e no fundo, que já nascemos amando. Inclusive, pouquíssimas “coisas” nos fariam ficar, nos pediriam arrego e diríamos ‘sim‘, nos convenceria a retroceder todos os nossos planos. E basta compreender que abriríamos mão de tudo por alguém, por amor, para que possamos partir em paz, buscar a nós mesmos através do mundo; buscar o mundo através dos sonhos. Terno desapego.
Afinal de contas, se um sentimento é recíproco e lindo a ponto de presentear-nos com a liberdade, nada mais sensato do que voar feliz e voltar apenas caso estejamos com algumas flores nas mãos. Receber e doar, não necessariamente nessa ordem: aprendizado teórico oriundo de nossos pais, cuja prática há de ser absorvida caminhando, com a Graça de Deus.
Quanto mais longe eu for ou o quão menos matéria eu conquistar, o que interessaria, na verdade, estaria guardado nos sorrisos que compartilhamos e nos olhares bonitos que eu registrarei no peito em seu nome.
Quando eu era menor, idealizava vidas ricas e fartas, pois era o que eu assistia de certo nos anseios automáticos na mente das pessoas. Eu só não sabia, ainda, que diferença mesmo fizeram os humildes e que, quanto menos você QUISER ter, melhor. Por um bom tempo, resumi todos os meus estudos e coloquei-os à frente dos meus reais desejos para que tivéssemos uma vida “melhor”.
A parte ingênua da história é que eu conhecia menos da vida do que eu já pouco conheço. Hoje, percebi por entre linhas tortas e letras muito belas, que melhor mesmo, bom, não é lutar para que tenhamos muito dinheiro, e sim para que fiquemos juntas.
Eu queria proporcionar-te ao menos metade de todo o bem com o qual me abençoou, mesmo em nossos tropeços. Talvez eu volte mais forte, talvez mais sábia ou inteligente, de repente eu até consiga mais instrumentos para te dar o conforto que boa gente como você merece. Com tanto ‘talvez’ e com menos rumo ainda, eu só afirmo e confirmo e reafirmo que eu sou uma moça muito feliz, cheia de amor no coração. ‘Talvez’ isso já seja um começo e, definitivamente, regressão não cabe na vida da gente.
Por mais transgressiva ou inofensiva que eu pareça, é bom saber que uma pessoa sabe quem, de fato eu SOU e no que eu quero me tornar.
Não há nada nem ninguém que eu ame mais do que você, mãe. Perdão é tudo que eu me sinto digna em te pedir e gratidão é muito menos do que eu te ofereço ajoelhada. Não importa o quão perdida eu esteja, quando eu penso em você, entendo o quão vale a pena cultivar o seu amor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário