
Perdendo a pretensão, como também o êxito. Chorando de emoção e rindo de nervoso, vejo quem me quer e não correspondo; quero gente que mal me olha e sinto muito. Lembro de todos por quem morreria e percebo a quantas mortes em vida já me submeti. O detalhe da ilusão é o que te condena, na verdade: aquele minuto definitivo em que substituis todo o real pelo imaginado é o ápice da trama que te envolverá. Porque, de resto, amigo, é só queda apesar dos tantos pulos aos quais recorrerás. Nada, nenhum salto ou qualquer um dos seus impulsos mágicos te levantariam enquanto constróis abismos privativos. A não ser que evites o tempo. E evitá-lo logo. O tempo é a mais esperta das miragens, pois te confunde quando suspende sobre si próprio a eternidade das boas horas e, em seguida, quebra o seu castelo de perfeição aparente para que supliques por mais tempo. Render-se, não. Não interessa o que ele diga, o tempo é todo seu. E assim como todas as nossas posses, façamos, desta, o que melhor for para desfrutá-la com desapego nulo e rendimento beirando a matemática.

Um comentário:
"Já houve um tempo em que o tempo parou de passar
E um tal de homo sapiens não soube disso aproveitar
Chorando,sorrindo,falando em calar
Pensando em pensar quando o tempo parar de passar"
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