quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pouco.

Nunca quis muito.. O que fosse preciso pra fazer dar certo, eu faria e fiz. Não me volte que nem fantasma, não. Honre o retorno da sua presença e não preencha meu vazio com angústia: se queres, de fato, essa função, complete-me com algum amor. Caso contrário, eu passo. E recolho-me à serenidade minha, objeto primeiro de tanto anseio machucado.
O que será de nós no dia ou na noite em que mesmo lúcidos olharemos para o lado e estaremos sozinhos, sem a pureza que bons homens recusaram? Começaríamos a mistificar a paixão e nada mais teria significado de cunho amável, nossa dor não mais transcenderia em virtude de gesto.
Não almejo declarações de amor, corações angustiados à espera da minha sombra. A incondição que me dá voz é tão sublime que apenas deseja sussurrar ela própria a fim de que o interlocutor sinta o afago sincero que proferi.
Me dê flores, elogios, presentes ou Sóis pondo-se à meia noite! Estrelas-do-mar, torne-me golfinho e nade comigo. Sejas o princípe que tanto esbanjam em contos de fada defasados. Ainda assim, se não me deres a oportunidade de amar-te acima de dogmas, não me completará.
Todavia permaneça em exato o quê tu és: em amizade, em beijo, em faces coradas e palavras honestas. O que peço, na verdade, não caberá a ti me fornecer e sim ao destino.
Renego toda a inspiração, conceito e planejamento infundado. Tudo que preciso encontra-se em meus sonhos e a minha gratidão suprema não me abandonará.

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