Valiosos mesmo são os atos corajosos aos quais nos entregamos quando nos permitimos desbravar o amor. Felizardos e fortes são os poetas, os palhaços, as atrizes e bailarinas, que não só enfrentam olhares críticos, reprovadores, incompreensivos, como também os transformam. Gente iluminada essa, que enxerga o poder de uma palavra bem direcionada, não resiste à poesia de coisa grande disfarçada em trapos.
Ainda assim, mesmo que uma criança não nasça médium, boa desenhista, escritora convicta ou uma simpatia de ator, tem o dom da arte caso se deixe levar pelo afago da fé irracional, sábia por natureza.
Pessoas simples são sujeitos de fascínio, creio que vieram tocar corações e disseminar ternura. E não interessa o dote de suas belezas, posses, intelectos: o sentimento bom, sempre que em primazia, torna seus criadores, por mérito, as estrelas do Reino dos Céus, as flores alegres de um paraíso calmo.
Fantasiar pétalas prateadas que pairam no topo das árvores, crianças livres brincando com raios coloridos; escrever sandices; sorrir e chorar por muito pouco; de repente, de fato, seja passatempo de loucos ou carentes por algum tipo de proteção. No entanto, o vôo ainda me soa mais são que aterrissagens constantes tão cheias de fitas e laços mundanos aprisionando valores tão belos em livros tão empoeirados.
Um dia publico letras carinhosas em folhas recicladas, assino-as e ilustro-as, jogo-as ao vento no meio da multidão. Assim, saberei que mesmo não tendo salvado vidas ou defendido causas nervosas, espalhei as únicas certezas que adquiri em todas essas vidas. E não terei vivido em vão...

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