domingo, 5 de dezembro de 2010

Eu quero ser exorcizado pela água benta desse olhar infindo!'

Bailam minhas tristezas submissas ao arrepio de nossos regozijos
Sambo sem saber, em becos desconhecidos, provocando luzes,
delirando com o gelo de seus lábios, relembrando o choque térmico
de abraços compartilhados.
Ainda assim me permito tanto!
Vejo-te do alto, avisto tudo que seria
e tudo que é. Continuo dançando.
Bordo e rodo saia imaginária, ouriço a clareira dos seus fios,
embaraço-os em sonho, pegando-os em vida.
Abro livros e eu mesma ilustro a poesia que crio em suas páginas..
Assino canções que não escrevi por incrivel correspondência,
por lembrança colossal em pesar de amnésias fortuitas.
Confundo o real, o válido e o desejável.
Simples e lindamente quero-te.
Se não for feliz em meu presente,
asseguro-me visão bonita que só
meu mundo tem.



Enquanto planejamos anseios por escrito ou mentalmente muito bem calculados deparamo-nos com futuro próximo certo, alcançado por perfeição de logística. Somos capazes de delinear horários e atividades rotineiras dentro das quais conseguiríamos nos realizar por impressão aparente, esboço de missão cumprida.
No entanto basta que a brisa cheirosa de destino divino nos carregue por entre folhas macias, para que enxerguemos a possibilidade do 'talvez' e da interrogação da surpresa.
É como se houvesse a necessidade do projeto concomitante à carência do inesperado.
Partindo deste pressuposto, nunca estaríamos absolutamente entregues, e sim vulneráveis e facultativamente angustiados. Sim, a escolha existe.
Ainda temos a opção de seguir em frente com mais rascunhos, mais tintas inapagáveis dispersas por coraçõea alheios, ainda que alguns borrões coloram tamanha diversidade de telas.
As dores de nossas almas comportam aprendizado sob camada fina de sofrimento menos denso do que se imagina. Escava-a quem tolera o amor, até sentí-lo de fato, sem esforço.

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