terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Na seção de sempre..

Estava eu na livraria, tranquila e lúcida, submetendo toda a minha tarde em busca de grandes autores. Estantes intermináveis me passavam fascinadas pela minha entrega. Desde muito pequena me dôo em prol de algum aprendizado que de fato toque coração meu tão suave. Por cada passo que eu dava na direção de todos aqueles livros grossos, tentava captar lampejos de fé apenas por seus títulos.

A minha sorte e bênção tamanha foi não me deixar cegar por tanta informação e cores foscas de capas céticas. Até que me surge, na esquina entre Literatura Estrangeira e Gastronomia, olhos brilhantes como um marzão de chocolate cremoso. Miúdo e doce, o menininho, de mãos dadas com a mãe, num repente honesto, paralisa seus passinhos dados com muito esforço até então (provavelmente, há pouco tempo, sequer sabia como caminhar.) Deparo-me, então, com mãozinhas boiando no ar à minha procura.
A figura materna que o guiava perdeu a compreensão e liberou seus bracinhos. Sem pensar vez nenhuma foi a mim por quem ele sorriu e correu.

Neste momento eu tive certeza que estava lendo os livros errados.
Ainda que toda a Geo-política tenha transformado mundo em que piso; por mais que a poesia angustiante de poetas-monstro represente o início da liberdade trasngressiva dos nossos tempos; eu nunca disse que pertencia a este solo, tampouco vivia nesta época.
Sou pretérito apenas quando me vejo infanta e futuro distante demais caso percebas meu afeto universal.
Talvez não interessam grandes autores e seus domínios, mas grandes histórias e suas fantasias.
Olhos sinceros como aqueles me convenceram pura e facilmente e assim sempre será.
Eis-me alí, desbravando minha missão. Menininho de Deus.

Nenhum comentário: