Eu quero ter filhos. Acordar de manhã com beijinhos e um aperto forte do amado na cintura. Reunir todos na mesa, preguiçosos, serenos e contentes e finalmente resolver esse meu hábito de não tomar café da manhã.
Vejo suco de laranja numa jarra bonita, os pães de queijo da mamãe e luz boa vindo da nossa janela branca em cozinha grande e clara.
Eu mesma prepararia o lanche das crianças e, ao me trocar, me renderia aos braços do meu príncipe numa escapulida no nosso quarto de conto de fadas.
Iríamos trabalhar bastante, seríamos verdadeiramente úteis e voltaríamos pra casa morrendo de saudades de nós, de todos, do lar. Às sextas eu cozinharia um peixe elaborado e meus pais nos visitariam sem atritos para curtir os netos e a casa que teríamos conquistado com amor e honestidade.
Contaríamos histórias mágicas aos meninos de modo que embalassem seus sonhos e pudéssemos deitar sobre a grama em frente à piscina, bebericando e namorando.
A vida seria familiar e surpreendentemente insubstituível.
Oraríamos juntos e ainda assim seríamos livres. Assistiríamos nossos filhos crescerem íntegros e puros, enquanto pássaros pousassem quando abríssemos as janelas ao pôr do Sol.
Almejo paixão tranquila, sem obsessão ou angústia. Até os momentos difíceis seriam pacificamente suportáveis, já que comportaríamos missão cumprida e alegria por simplesmente viver.
Não custa sonhar...

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