
É só mais um dia
dentre tantos próximos, cuja espera deixará de ser rotina
e se tornará esquecimento
sadio, forte.
Haverá aquele dia
em que olharei através da janela:
verei neve,
estrada,
índios, moicanos,
pássaros azuis e libélulas enormes!
Assistirei, ao meu lado,
Crianças, cantigas,
violeiros e sanfonas
Guitarras, metais raros
jardins e
paz.
Apagar-se-iam dias
e noites,
Cuja semente me foi jogada de longe
e engasgada por vias minhas inocentes
Eu conseguiria cuspi-las, isolá-las
Ainda assim brotaria o novo, já que
boa intenção seria flor, fruto e folha.
Raiz.
Versarei em breve sobre toda a graça
Que comportaríamos em meu ventre,
Em risos alheios, faríamos rodas coloridas
Missão e alegria se confundiriam no reflexo das águas.
Aliás...
Seria como manhã que sucede noite chuvosa:
Gotas d’água sobre tudo, ar molhado
voz líquida e pensamento mergulhado.
Caminho para o dia em que,
como que num salto
lento, de brilho gradativo, progressivo, tom sobre tom,
Ergo meus braços,
borrifo água cheirosa,
Refresco! Enquanto me vejo surgindo na praia..
Serão grãos de areia brincando com meus pés.
Nesse dia,
O Sol estará sempre presente
mesmo que não haja matéria ou personificação de príncipes fortuitos
O conto de fadas
Será.
Vida real,
Concede-me aquele dia e dou-lhe
sonho precioso, maior que devaneio,
em troca de união.

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