domingo, 9 de janeiro de 2011

holdin' emotions.

O porteiro me perguntou se o arranjo de flores na entrada seria meu. Não entendi e procurei felícissima, quase desesperada por algum cartão destinado ao meu nome. Por milésimos de segundos ocorreu-me o dia da minha vida, o amor dos meus sonhos, o Apocalipse! Quem mais deixaria flores brancas e bem arrumadas na porta da minha casa para alegrar meu dia, adocicar meu sono, aliviar minha dor? Eis sua resposta, moça, ninguém. O arranjo não era meu, tampouco a carta rosada na qual caí em mim. Senti-me forte pela mulher que a receberia. Segurei uma única lágrima que, como sempre, nunca me obedece.
Acho que Deus escolhe nossos momentos divinos a dedo, de acordo com o quanto iríamos suportar caso os mesmos despencassem sobre nós. Penso, por vezes, que talvez eu sinta tanto amor e compreenda tanto toda a sua justificativa que por ventura eu não seria dura o suficiente para lidar com suas reticências. Pelo simples fato de que havendo um ninho, ovinhos nascendo e flores ao redor, nada mais me faltaria. E de repente, é, sem certeza alguma, isso possa não ser o certo.
Repito em todo poema, que sinto muitas saudades do que eu sequer vivi.
E é como se, a chama, de tudo que já houve, revivesse em pássaros e flores.. Céus e ruínas perdoadas. Paz misteriosa que perturba meu suspiro, mas acende-me para a vida.

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