Mundo bom, tudo realizado. Músicas que num passado não tão distante me afligiam por trazer tantas borboletas que, na verdade, ficavam guardadas dentro de mim. Se eu as soltasse, se por acaso alguma delas voasse sem olhar direito pelo caminho, num piscar de olhos eu seria motivo de zombaria. Provavelmente meus óculos cairiam e meu rabinho de cavalo com gel purpurinado despencaria. Talvez se impressionassem que eu também era menina, ou de repente enxergassem que dias como hoje também chegariam pra mim. Mas, não, se repressões assustam povos inteiros e dizimam sua liberdade, que dirá a uma criança..
Morrendo de vontade de dançar embalos que, às vezes eu até fazia, a pena era nunca estar conforme eu sonhava. Quando eu deitava no meu quartinho azul claro, e as fadinhas que eu desenhava e pregava na parede eram as últimas imagens que eu via, janela aberta, olhava o céu escuro e quanto mais eu fechava os olhos mais claro qualquer estrela brilhava. Coraçãozinho sensibilizado e forte. Muito forte.
Mal sabia eu que toda noite eu tomava minha auto-dose de imunidade.
Mesmo que nas festas, em meio às pessoas que me rodeavam, que compartilhavam a minha idade, ainda que eu fosse avulsa ao cenário, NUNCA, mas em momento algum me permiti parar de ir.. lá.
Tudo que eu sonhava com desejo tão ferrenho em fases carregadas de névoa de um presente iluminado. Presente nítido em cada som!
Absolutamente tudo que desenhei, que li e fiz figa,
bonequinhas espalhadas por caixas de papelão, evoluindo, sorrisos gradativos,
até que se tornaram fotos
e eu pude enxergar meus sonhos em presente vivo
e abençoado por Deus.

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