Não choro por melancolia, meus olhos apenas se tornam marejados, ardem e precipitam. Sinto mais do que deveria, talvez, menos do que consigo explicar. Não gosto de tristeza, ela não me inspira em nada do que acredito. Se minhas lágrimas existem, não é que haja razão intrínseca ou um fim, um propósito. Há apenas um coração, certeza absoluta e abstrata, simples e dolorosa.
Dúvidas me diminuem e reflexões me dão um ofício. Não sei se vivo meu sonho em vida, ou se sigo em linhas retas até o destino me presentear com panos leves e sabores doces, ventos suaves e príncipes amáveis.
Sinto alegria sincera em coisa boa, sinto prazer e me fascinam todas as maravilhas terrenas. Almejo felicidade e por vezes freqüentes exprimo meu riso, deixo energia própria brilhar, fluir e fazer-se livre.
Apesar de todo o desejo, de infinita crença, ainda assim lacrimejo e me escondo por não saber o certo, ao certo. De nada sei, na verdade. Cada estudo em vida não passa de conquistas práticas de mundo inferior, formas de sustentar necessidades quase cruéis.
Idealizo sociedade clara, que não me julgue por aparências ou por lentidão de passos. Idealizo menos feridas, menos erros, menos culpa e obsessão. Passado ruim não me incomoda tanto quanto pretéritos lindos, porque a coisa má a gente esquece, se recupera, absorve aprendizado dela. Memória boa não sái do coração nunca, tampouco volta pra gente reviver em vida.
Guardo pedaços de calendário como se fossem farelos de pão espalhados pelo lençol. A diferença é que farelos vão direto pro lixo ou pra saciar a fome de algum pombo, enquanto dias bonitos simplesmente sobem como fumaça aos céus, na esperança de que algum dia eles se remontem em algo melhor.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário