domingo, 30 de maio de 2010

It was just a dream?

O quão real foi?
No Cairo, sabe-se lá porque, e um cigano circense no meio da avenida, pára de sorrir e nossos olhos se encontram. Parei de respirar e meu ar se encontrou com a chama do mel daquele olhar.
Ele deixa tudo cair, sem se dar conta de que os carros começariam a rodar em pouco tempo; eu abro a janela de trás e me impressiono com a conexão. Olhos, agora, embasbacados. Ambos.
Não houve grandes discursos e sim falas grandiosas. "Como eu te verei de novo? Eu posso não voltar aqui, nessa terra perdida, nunca mais..." "Me encontre na gruta do rio"_respondeu o nômade sem fôlego, com pressa de chegar antes, com vontade de tocar meu rosto e sentir minha pele com a face.
Pedi pra descer, saí em disparada ao encontro do rio, ao encontro de mim mesma, personificada nele. Cheguei antes e lá vinha, veloz, se aproximando devagar.
Sob a cascata, protegidos por rochas frias, encostamos nossas mãos e se fez fogo na África. Literalmente, nossas mãos eram magnéticas, elétricas.
Éramos dois leões no óasis.
Nos assustamos e mergulhamos através das portas de nossas almas.
"Quem é você, doce menina? Voce não pode ir embora..."
Meu simples toque tapou a boca daquele anjo, levemente, e com a suavidade de uma brisa de rio, nos beijamos.
Cabelos castanhos incomodando seu rosto quadrado, lisos, olhos de brasa, semblante confuso. Nos reconhecemos no instante em que nos olhamos. E aquilo foi a nossa dádiva e desproporcional perdição.
Mamma África...

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