sexta-feira, 19 de março de 2010

well-doing..




'Quando cresceres, desejárás, profundamente, retornar à sua infância..'
Era o que eu mais escutava...

Pra mim, naquela época, crescer era ser livre! Uma independência quase espiritual.
No entanto quanto mais meu corpo mudava, mais presa a não sei o quê eu me sentia.
Ser criança é divertido e doce por definição. Nossas preocupãções eram singelas, assim como a vidinha sem luxo que acreditávamos.

O que me fazia ganhar o dia era ter me saído bem na partida de futebol com os meninos da minha turma. Por entre areias, pedregulhos e árvores frondosas! Nossa, que delícia... Eu voltava suada em casa e contando meus atos heróicos com a bola ou com os lápis de cor. Mamãe achava tudo lindo e me presenteava com 'amanditas' ou prolongados cafunés.

Namorar era escrever. Eu tive a sorte de encontrar um amiguinho que compartilhava esse prazer comigo. Dançávamos, nadávamos, cantávamos muito! E isso bastava. Quando ele foi embora, bom.. talvez tenha sido um sinal de que a minha infância tava em alerta. Mesmo assim escrevíamos! Um ao outro. Sem compromissos com nada nem com ninguém. Nos falávamos porque nos gostávamos verdadeiramente. E isso nos fazia mais felizes.

Eu era uma criança pura, porque eu não permitia me corromper. Meus princípios de felicidade eram tudo que eu tinha e eu os seguia à risca.
Tentava usar minha inteligência infantil a meu favor e me metia em enrascadas por causa disso. Eu tinha uma tranquilidade paradoxalmente curiosa; eu buscava o mundo em sensações pequeninas.
Brincar com uma centopéia, decorar o hino nacional em voz alta, encorporar um teatrinho de fantoches.
Tocar piano pra todo mundo ouvir! É, só de macacão mesmo ou com um vestidinho meio velho. Isso pouco me importava. Eu era pé no chão e meu coração voava por cada florzinha amarela que me atría pelo seu perfume.

Crescer é difícil. E, às vezes, tu nem cresceu direito e já acham que tens força para suportar mais que seu próprio peso. A começar pelos livros gigantes de um colégio mais apertado, todos os dias nas suas costas. Até assuntos que voce se forçava mas não conseguia entender, como brigas irracionais e marido e mulher que não se amavam. Era inútil, a simplicidade do seu mundo encantado não recebia bem o que não era puro.
Então tu se dava conta de que crescer é mais sofrimento que liberdade, como achavas láá atrás. E começas a embrulhar toda aquela sua magia num potinho dentro de um baú.
Apesar de tudo, nunca jogastes o potinho fora! Mas também nunca mais abristes o baú.
Te dizem, hoje, que é preciso ser criança SEMPRE. Também te dizem, hoje, que ser criança é fraqueza. A confusão é inevitável.
Não sabes até que ponto se entregar a sensações da carne que não tinhas antes é bom. Então ou não fazes nada, ou metes os pés pelas mãos.

O equilíbrio é um jogo cruel da vida. Que alcanças ou morres tentando atingir.

Hoje? Bom... hoje eu nem posso me considerar em fase de transição mais.
Tentam de todas as formas me fazer agir como adulto, pensar como adulto, e ter uma seriedade aparente para me desvirtuar quando ninguém vê. É, isso, em síntese, que a 'maturidade' prega.
E é exatamente essa contradição que me mata. Vai realmente contra tudo de mais bonito que eu acredito nessa vida.

Queria conviver mais com crianças pra não deixar isso morrer nunca. E ajudá-las a nunca fechar o bauzinho de cada uma delas.
No entanto, cá estou. fazendo Direito. Me alienando para defender um Estado hipócrita e perdido. Quando, na verdade, de coração, o que eu mais gostaria era fazer rodas em gramados e pic-nics com os pinguinhos de gente que são tão felizes por natureza.

A vida não é um sonho.
O que eu não entendo é porque eu ainda me corrompo
se a única certeza que tenho
me diz para não me desvirtuar.








You left me for the bright lights of the town
A country boy set out to see the world
Remember when those city lights shine down
That big old moon shines on your Kentucky girl

I swear I love you
By the moon above you
How bright is it shinin' in your world
Some morning when you wake up all alone
Just come on home to your blue Kentucky girl


Don't wait to bring great riches home to me
I need no diamond rings or fancy pearls
Just bring yourself, you're all I'll ever need
That's good enough for this blue Kentucky girl

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