
Quando éramos pequenas acreditávamos que o caminho pouco importava. Desde que houvesse uma trilha terrestre, bastava que víssemos a luz do Sol.
As aulas eram cansativas durante a semana e o nosso alívio era perder o rumo sendo guiadas pelo vento. Sem destino e ao som de nossas próprias gargalhadas.
Ríamos dos tropeços que dávamos em pedrinhas sob árvores ou dos meninos que preenchiam nossos sonhos a noite. O lanche do repouso era o que as moedas dos nossos bolsos furados davam pra comprar, se é que ainda existia algum dinheiro neles...
Descansávamos embaixo de algum coqueiro ou na calçada de alguma lojinha simpática. Sempre conversávamos sobre tudo! E mesmo que o assunto acabasse, admirávamos, juntas, o brilho do céu e o vazio durava muito pouco tempo.
Nossas caminhadas se tornavam simbólicas a cada ano que passava, pois representava toda a nossa filosofia de mundo. Mal sabíamos que estávamos construindo, aos poucos, uma nova ideologia de vida, a da luz.
"Helô, pra onde a gente vai agora?"
"Ah, por onde for mais astral! ;)"_e a minha resposta era sempre a mesma.
Nosso corpo mudava, o colégio se tornava cada vez mais difícil. No entanto, o tempo parecia ser generoso conosco, porque sempre que nos víamos, juntas, em algum caminho iluminado, a sensação era de que ainda éramos crianças seguindo qualquer coisa! Desde que houvesse Sol.
Acho que praticamente tudo mudou desde aqueles bons tempos. Me encontro cheia de fascínios acumulados ao longo da minha vida e, muitos deles, já me deixaram em enrascadas.
Mas, sabe... eu entendi. Finalmente compreendi que tudo que te fascina tem uma base em comum: a energia boa que voce sente.
E tudo que tem um alto astral, um poder quase mágico de te arrancar um sorriso, deve ser não só acumulado mesmo, mas cultivado e perseguido!
Eu nunca me imaginei racionalizando as minhas paixões mais puras e mais intensas. Mas é tão lógico!
Tente acompanhar:
se todas as artes, as etnias, os mares, as músicas, os batuques, as violas, as comidas e os céus que me encantam estão todos espalhados pelo mundo, por quê não percorrer o mundo?
Eu não desejo viajar por um capricho ou por falta de amor à minha terra natal. Muito pelo contrário... Eu gostaria humildemente, de provar a alguns e a mim mesma de que há beleza em qualquer canto. E mesmo que não haja, a felicidade pode ser sentida em cada passo, em cada olhar bom que voce encontra.
Eu quero experimentar mais do que gostos e cores,
eu só to seguindo a luz da minha infância.
Meu próximo destino?
"Pra onde for mais astral! ;)"

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