Talvez eu seja uma covarde em preferir escrever. Ou talvez eu tenha o lirismo chocante de 'Abelardo e Heloisa'. Bom, Heloisa eu sou. E como sou.
Eu nunca havia desejado morrer antes. Como ontem... Mas é tão compreensivel o fato de que se a morte é uma libertação, com certeza deve doer menos do que isso.
Eu andava com destino certo pra descansar o corpo, mas é como se eu estivesse vagando sem rumo, sem raciocínio lógico, completamente sem ilusão. A realidade as vezes cái na minha cabeça como se fosse um piano do 9º andar. Meu físico sabia para onde ir e fechar os olhos, mas meu espírito deu umas 50 voltas pelo planeta, procurando a si próprio.
Eu me submeto a coisas humilhantes quando meu coraçao grita. Porque quando ele fala, até uma paz meio confusa é capaz de me tocar. No entanto meu coraçao ta radicalmente mudo ou incrivelmente nervoso.
Eu não sei até que ponto eu perco, até que ponto é a coisa certa, o que seria exatamente 'a coisa certa', se paixões devem ser vividas até virarem amor. Eu não sei. Eu queria entender, eu queria entender. Eu queria entender...
Eu me foco tanto na maior parte do tempo; eu me esforço TANTO pra evoluir uma conduta de essência a cada instante; é tanto tempo sem música, sem beijo, sem riso, sem céu... Que quando eu ouço aquela voz naquelas palavras, quaisquer palavras! Saindo daquela boca... me desconcentram. Eu perco a compreensão de mim mesma.
Pode ser que eu mereça isso... Por causa de algo nessa vida ou de algumas passadas. Enfim, acho que isso nem importa tanto porque o presente é poderoso se voce souber conduzí-lo. Mas o passado é tão mágico quando eu lembro que nós dois sozinhos sentíamos algo bom.
Sabe...
É uma força atrativa muito grande. Monstruosa mesmo.
E quem vê de fora pensa: "É só mais uma carta de amor. É só mais uma história de coração partido." E pode ser que seja, de fato. Só que... pra quem sente, é outro filme. Digno de efeitos especiais, vilões, heróis, tentações, conflitos, paisagens inesquecíveis...
Não é nem a falta de compromisso que me incomoda. É a humilhação de não conseguir olhar nos olhos de quem eu mais vejo nos meus sonhos. É não poder ser espontânea quando tudo que se tem pra mostrar é tão lindo.. Dói muito, muito mesmo, ter que me conter, ter que me esconder. Por determinados olhos um pouco mais depravados, poderia ser até uma fonte de excitação esse 'jogo'. Mas eu não tatuei o que eu tatuei no meu braço pra seguir um jogo.
Eu não tenho tempo pra isso.
Existem casos cinematográficos em que as paixões são deduzidas como válidas, como dignas de perseverança e luta. É romântico é poético, é o que eu mais tento traduzir pra minha vida real.
Existem casos cinematográficos em que as paixões terminam mal; são um pulo para a quase regressão. É como se tal descontrole emocional não valesse a pena, porque o que interessam são os amores puros. É romântico é poético, é o que eu mais tento traduzir pra minha vida real.
Percebe?
São contradições que não só me deixam confusa como me fazem ter a sensação: ou de estar agindo com um instinto lírico e docemente corajoso; ou me deixam aflita por sentir que estou na direção certa, mas no sentido errado.
Eu quis morrer ontem.
Coloquei os pés na rua e pensei:
"Se alguém me atirasse, se um carro me matasse por atropelamento, com certeza doeria menos do que eu to sentindo agora.'
Eu só queria saber se estou vivendo o que tem que ser vivido.
Nesse caso,
mesmo que doa,
eu assumo o risco de viver. E até de ser feliz.
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