segunda-feira, 20 de julho de 2009

A verdade é que eu posso admirar nossas planícies litorâneas, mas os morros já são inerentes a mim.
Viver sobre montanhas faz bem à caminhada dos pés, à sinuosidade das coxas e à natureza de uma visão crescida sempre em busca de um novo belo horizonte.
Subir e descer distâncias, acostumar-se a tal ofício serrano, embora nos faça chegar ofegantes ao tôpo, evoca uma expectativa quanto à paisagem que nos surpreenderá na próxima curva; faz oscilar um mistério puro dentro de nós mesmos... Nunca se sabe o que dirá nossa própria essência diante da magnitude de estrelas vistas de perto ou de um pôr-do-Sol, assim, escondidinho no relevo... Talvez sob essa luz circule o ar da graça de nós, mineiros. Graça sublimada em cada esquina, cujas ruas compõem um cenário pincelado por personagens tímidos, de inteligência intrigante, típicos e, ao mesmo tempo, únicos.
Nossa força e nossa arte atravessam nossas serras, navegam em nossos rios e se espalham. Culpa do vento que não resiste em proliferar nosso talento, seduzir nossos nativos com o cheiro do mar...
Porque, se dependesse de nós, permaneceríamos quietinhos, saboreando comidinha do fogo à lenha da casa de vó, ensinando vida em teatros de rua, moldando os artistas mais verdadeiramente artistas, enfim, somos bons em garimpar nossas próprias riquezas. Crescemos com elas. E, quando nos damos conta, 'Minas Gerais' está cravejado de diamantes no peito, e não há oceano que atinja nossas muralhas: o cheirinho do pão de queijo é bem mais sedutor...

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