sexta-feira, 17 de julho de 2009

Mihael

Hoje eu não só enxergo, como tenho certeza de que sonhos muitas vezes são só sonhos e é melhor que eles fiquem nos sonhos. Ilusões costumam vir distorcidas quando transformadas em realidade. E talvez a realidade já seja linda só pelo fato de voce conseguir sonhar... Ao menos um sono melhor já tens.
A vida não se resume aos planos mirabolantes de um jovem perdido, que só idealiza seu futuro numa praia, livre, solto. Vive-se bem tendo amor, recebendo, doando, desde que, claro, este amor seja puro, quase fraternal. E é só nisso que se pode resumir a vida, se é que algum dia alguém ousaria resumí-la.
O cenário pode ser facilmente imaginado, criado, brinca-se com os sonhos assim como meninas se tornam mães diante de suas bonecas. No entanto, quando a brincadeira acaba, nada deixa essa criança mais feliz do que poder dormir com sua mãe depois de um pesadelo, ou ter a chance de contar com ela quando o termômetro está quente.
Fazer uma pipoca com os amigos, os verdadeiros, sabe? Ir ao cinema depois de longos horários no colégio, comprar uma peça de Shakespeare e cair no sono depois de se enfiar completamente na platéia da história. Abrir a porta e ver que é a sua mãe sorrindo pra ti do olho mágico ou receber uma ligação do seu pai te chamando pra comer carne... Conseguir sentir carinho por uma irmã difícil de entender, dar conselhos bons a uma amiga que sofre de amores... Tirar um cochilo depois do almoço, tomar um banho bem gelado depois de horas se exercitando... Isso. Isso me faz feliz. E não há liberdade no mundo que me deixe perdida em relação aos meus passos presentes e futuros mais: quero estar perto de quem eu amo.
Assumir a simplicidade de uma felicidade cotidiana, é afirmar que a plenitude de vida existe. No lugar em que se vive, com o que se tem, com a família que lhe foi presenteada.
Obrigada, Meu Deus.

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